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Festival MPB em Série 2026 encerra edição com encontro intergeracional em Goiânia

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A edição 2026 do Festival MPB em Série chega ao fim em Goiânia com um concerto que sintetiza a proposta central do projeto: promover o diálogo entre diferentes gerações da música popular brasileira e destacar a produção artística goiana em um contexto nacional. O encerramento ocorre na próxima sexta-feira, 17 de abril, às 20h, no Teatro Sesi, com apresentação gratuita que reúne a cantora Maria Eugênia, o cantor e compositor TomChris e o consagrado compositor Altay Veloso em formação inédita. O público é convidado a contribuir de forma voluntária com a doação de uma lata de leite em pó para a campanha Fieg+Solidária.

A iniciativa conta com apoio institucional do Governo de Goiás, por meio do Programa Goyazes, operacionalizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o que reforça sua inserção na política estadual de fomento às artes. Ao final de mais uma temporada, o festival consolida-se como plataforma de encontro entre artistas locais e nomes reconhecidos nacionalmente, articulando repertórios, histórias de carreira e diferentes linguagens dentro do amplo guarda-chuva da MPB.

Origem e consolidação do MPB em Série

Criado pela cantora goiana Maria Eugênia, o MPB em Série nasceu com o objetivo de valorizar a produção regional e de construir, a partir de Goiânia, um espaço sistemático de circulação de artistas e de repertórios da música popular brasileira. Desde as primeiras edições, o conceito do festival está ancorado em “encontros” – inicialmente em duplas, agora expandidos para trios – que favorecem a colaboração artística e a reinterpretação de obras já consagradas.

Após edições realizadas em 2023 e 2024 com formações em duplas, a temporada de 2026 marca uma mudança de escala e de formato. O modelo de trios amplia as possibilidades de arranjo, diálogo cênico e intercâmbio musical, fortalecendo a diversidade estética. Ao longo desta edição, passaram pelo palco do projeto nomes de relevância na cena local e nacional, entre eles o grupo Vozes do Cerrado, em apresentação ao lado de Pádua e Juraíldes da Cruz, além de artistas como Cláudia Vieira, Nila Branco, Orlando Morais e o pianista e arranjador Ricardo Leão.

A programação também incluiu uma homenagem aos 25 anos do projeto Solo Brasil, idealizado pelo embaixador Lauro Moreira, iniciativa responsável por levar a música brasileira a diferentes países ao longo de mais de duas décadas. Ao incorporar essa celebração, o festival conectou sua atuação local a um histórico mais amplo de difusão internacional da cultura brasileira, sugerindo um eixo de continuidade entre ações de diplomacia cultural e projetos regionais de formação de público e valorização de repertório.

Encontro de trajetórias: Maria Eugênia, TomChris e Altay Veloso

O concerto de encerramento de 2026 foi concebido para evidenciar conexões entre biografias artísticas, memórias afetivas e diferentes momentos da MPB. Maria Eugênia, idealizadora do festival e figura central da cena goiana, divide o palco com TomChris, representante de uma geração posterior de intérpretes e compositores, e com Altay Veloso, nome consolidado do cancioneiro brasileiro, com mais de 500 obras gravadas por intérpretes de destaque.

Altay Veloso tem músicas registradas por artistas como Alcione, Roberto Carlos, Elba Ramalho e Alexandre Pires, entre outros, o que denota a capilaridade de sua produção em diferentes segmentos da indústria fonográfica e em distintas fases da MPB. Entre os sucessos de sua trajetória estão canções como “Entra e Sai de Amor” e projetos de maior fôlego, como a ópera “Alabê de Jerusalém”, que demonstra sua atuação também em formatos híbridos entre a música popular e a linguagem erudita.

A presença de Altay no MPB em Série agrega ainda uma dimensão histórica ao encontro, já que o compositor teve papel relevante no início da carreira de Maria Eugênia. Foi ele quem forneceu canções inéditas para o primeiro álbum da cantora, lançado na década de 1990, estabelecendo um vínculo artístico que se projeta no reencontro no palco em 2026. Ao lado de TomChris, o trio constrói um repertório que transita entre clássicos, memórias afetivas e novas interpretações, reforçando a ideia de permanência e renovação na música brasileira.

Repertório, banda e proposta estética

O espetáculo de encerramento foi delineado para funcionar como síntese estética da temporada. O repertório reúne canções emblemáticas da obra de Altay Veloso, faixas representativas das trajetórias de Maria Eugênia e TomChris e releituras que aproximam diferentes períodos e estilos da MPB. A combinação de vozes, narrativas e arranjos busca evidenciar como determinadas composições se mantêm atuais, ao mesmo tempo em que se abrem a novos olhares interpretativos.

Para sustentar essa proposta, o festival conta com uma banda formada por músicos experientes: Luiz Chaffin, Fred Valle, Marcelo Maia, Willian Cândido e Edilson Morais. A presença de instrumentistas com larga experiência de palco confere robustez técnica aos arranjos e garante flexibilidade para acomodar variações de clima, dinâmicas e linguagens ao longo do concerto.

A dimensão visual também é tratada como componente fundamental da experiência. A criação cênico-visual é assinada pelo VJ Paulinho Pessoa, que utiliza recursos de projeção e linguagem videográfica para compor um ambiente que dialoga com o conteúdo musical. Essa integração de som e imagem acompanha uma tendência crescente em festivais e espetáculos de MPB, em que o concerto deixa de ser apenas uma apresentação de repertório e se aproxima de uma experiência multimídia planejada.

Relevância cultural para Goiânia e para a MPB

O MPB em Série insere-se em um conjunto de iniciativas que procuram reforçar o papel de Goiânia como polo relevante na cena musical brasileira para além dos gêneros já associados historicamente ao estado de Goiás. Ao priorizar artistas goianos em diálogo com nomes de abrangência nacional, o festival contribui para reposicionar a cidade como espaço de produção e difusão de música popular brasileira em sentido amplo, contemplando diferentes gerações, estilos e trajetórias profissionais.

Do ponto de vista das políticas culturais, o apoio do Programa Goyazes e da Secretaria de Estado da Cultura indica o reconhecimento da música como ativo estratégico, tanto na perspectiva simbólica quanto econômica. Projetos continuados como o MPB em Série tendem a desempenhar papel relevante na formação de público, na qualificação da cena local e na criação de oportunidades para artistas em diferentes estágios de carreira. Ao articular produção artística, circulação de espetáculos e ações de caráter social, o festival se aproxima de modelos considerados sustentáveis no campo da economia criativa.

Além disso, a campanha de arrecadação de leite em pó para o Fieg+Solidária, associada à gratuidade da entrada, aproxima o evento da comunidade e insere o festival em uma lógica de responsabilidade social. Essa combinação de acesso amplo, contrapartida solidária e curadoria cuidadosa tende a reforçar o vínculo entre público, artistas e instituições envolvidas, criando uma percepção de projeto público-cultural de longo prazo, e não apenas de agenda pontual de espetáculos.

Serviço e perspectivas futuras

O encerramento do MPB em Série 2026 ocorre no Teatro Sesi, em Goiânia, na sexta-feira, 17 de abril, às 20 horas. A entrada é gratuita, condicionada apenas à lotação do espaço, e o público é estimulado a levar uma lata de leite em pó, em doação voluntária, para a campanha Fieg+Solidária. Informações adicionais e atualizações de programação podem ser acompanhadas pelos canais oficiais da cantora Maria Eugênia em redes sociais.

Com a consolidação do formato em trios e o histórico de parcerias estabelecidas ao longo da temporada, o festival encerra o ano com margem para desdobramentos futuros. A combinação de encontros intergeracionais, valorização da produção regional, integração com políticas públicas de cultura e atenção a causas sociais posiciona o MPB em Série como um caso relevante no cenário de festivais de música no Centro-Oeste. Para a MPB, representa mais um espaço estruturado de circulação de repertórios e de construção de pontes entre artistas, públicos e territórios culturais distintos.

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