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O adeus a Ozzy Osbourne lenda do Heavy Metal

Ozzy Osbourne

Nesta quarta-feira, 30 de julho de 2025, o mundo do heavy metal se despede de seu batimento cardíaco original quando Birmingham, Inglaterra, acolheu o cortejo fúnebre de seu filho mais ilustre: John Michael “Ozzy” Osbourne. As ruas que outrora testemunharam o surgimento de um dos gênios mais controversos da música se transformaram em palco para a última performance do Príncipe das Trevas – desta vez, infelizmente, sem bis. Falecido aos 76 anos no dia 22 de julho, Ozzy recebeu uma despedida à altura de sua lendária carreira, com Sharon Osbourne, sua companheira de vida, e seus filhos Kelly e Jack acenando emocionados enquanto a multidão bradava o nome daquele que transformou o peso das indústrias britânicas em notas musicais.

Quem diria que um garoto de origem humilde de Birmingham se tornaria o arquiteto de um gênero musical inteiro? Como membro fundador do Black Sabbath, Ozzy ajudou a forjar o heavy metal a partir do aço e concreto das fábricas de sua cidade natal, transformando a desesperança industrial em acordes distorcidos que ecoariam por décadas. Era como se ele tivesse transformado o barulho ensurdecedor das metalúrgicas em sinfonias obscuras que falavam diretamente à alma dos desajustados. Obras-primas como “Paranoid” e “Master of Reality” não são apenas álbuns – são verdadeiros manifestos sonoros que redefiniriam para sempre os limites do rock.

Após sua saída do Black Sabbath em 1979, muitos apostaram que a estrela de Ozzy se apagaria como um fósforo ao vento. Mas, como um morcego noturno (sem trocadilhos intencionais), ele sobrevoou as adversidades e construiu uma carreira solo monumentalmente bem-sucedida. “Crazy Train”, “No More Tears” e tantos outros hits provaram que havia método na loucura de Osbourne. Seu último espetáculo, realizado em 5 de julho também em Birmingham, foi simbolicamente perfeito: sentado em um trono adornado com um morcego – uma referência ao seu infame incidente de 1982, quando acidentalmente decapitou um com os dentes, pensando se tratar de um adereço de borracha – Ozzy fechou um ciclo que começou nas mesmas ruas que agora se despediam dele.

A voz de Ozzy

A resiliência de Ozzy sempre foi tão impressionante quanto seus vocais. Enfrentando problemas de saúde que teriam aposentado qualquer mortal comum, ele continuava a se apresentar e gravar música com a determinação de um guerreiro viking. “Apesar de todas as minhas reclamações, ainda estou vivo… vejo pessoas que não fizeram nem metade do que eu e não chegaram até aqui”, declarou em seu programa de rádio este ano. Era como se tivesse feito um pacto com o diabo – não apenas em suas letras, mas em sua incrível capacidade de sobreviver às próprias extravagâncias. Se Keith Richards é o homem que a morte esqueceu, Ozzy era aquele que a convidava para tomar um chá e depois a mandava embora.

Nos anos 2000, quando muitos artistas de sua geração já haviam se tornado relíquias de museu, Ozzy conquistou uma nova legião de fãs graças ao reality show “The Osbournes”. O programa, pioneiro do gênero na MTV e recordista de audiência entre 2002 e 2005, revelou uma faceta surpreendentemente hilária e encantadora do homem que muitos conservadores consideravam a encarnação do mal. Ali, entre confusões domésticas e momentos de ternura familiar, o mundo viu que por trás das maquiagens pesadas e performances chocantes existia um pai amoroso e um marido dedicado, ainda que perpetuamente confuso com a tecnologia e os afazeres domésticos.

A ironia da vida de Ozzy é que, após décadas “na estrada”, ele finalmente percebeu o custo dessa jornada. Em entrevista ao g1 em 2018, admitiu: “Me sinto como rato em uma roda”, expressando seu desejo de desacelerar para acompanhar o crescimento dos netos após ter perdido grande parte da infância dos filhos enquanto viajava. É um lembrete poético de que mesmo os maiores ícones do rock and roll são, no fundo, apenas humanos com os mesmos arrependimentos e aspirações que todos nós. O homem que um dia cantou “I’m going off the rails on a crazy train” (“Estou saindo dos trilhos em um trem maluco”) finalmente queria apenas estacionar e curtir a paisagem da vida familiar.

O legado de Ozzy transcende a música. Ele transformou um gênero musical em um movimento cultural, converteu escândalos em arte e, como um alquimista moderno, transformou o metal em ouro – tanto literalmente, com seus discos de ouro e platina, quanto figurativamente, inspirando gerações de músicos a abraçarem suas próprias excentricidades. No funeral, a imagem de Sharon, Kelly e Jack Osbourne acenando para uma multidão que gritava o nome de Ozzy encapsula perfeitamente o que ele representou: um elo indissolúvel entre o extraordinário e o ordinário, entre o espetáculo e a vida real.

Enquanto o carro fúnebre percorria as ruas de Birmingham, não era apenas um corpo que estava sendo transportado, mas uma ideia – a noção de que é possível nascer em uma cidade industrial cinzenta e ainda assim colorir o mundo com sua criatividade e originalidade. Ozzy Osbourne deixa para trás sua esposa, a empresária Sharon, e seis filhos: Aimee, Kelly, Jack, Jessica, Louis e Elliot. Mas mais importante, ele deixa um som que continuará a reverberar muito depois que o último acorde tiver sido tocado, provando que, de fato, as lendas nunca morrem completamente – elas apenas fazem uma pausa entre os sets.

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