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Brasil avança nas oitavas da Copa do Mundo de 2026 após vitória sobre o Japão

Brasil vence Japão e avança na Copa de 2026 com gol nos acréscimos Substituto Gabriel Martinelli

Redação Redação · · 10 min de leitura
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Brasil

O Brasil manteve vivo o objetivo de conquistar o sexto título mundial ao vencer o Japão por 2 a 1, nesta segunda-feira (29), em Houston, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026. Em um jogo de dois tempos distintos, a seleção comandada por Carlo Ancelotti virou uma partida que começou sob forte pressão psicológica e erros recorrentes, e foi decidida apenas aos 49 minutos do segundo tempo, com gol do atacante Gabriel Martinelli, vindo do banco de reservas.

Com o resultado, o Brasil avançou às oitavas de final e aguarda o vencedor de Noruega x Costa do Marfim, duelo marcado para esta terça-feira (30), em Dallas. O próximo compromisso da equipe brasileira será no domingo (5), em Nova Jersey, em mais uma etapa do mata-mata disputado em território norte-americano.

Primeiro tempo de domínio japonês e falhas brasileiras

Ancelotti repetiu a escalação utilizada na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira (24), em Miami. A manutenção da formação indicava confiança no padrão recente de atuação, mas o contexto do jogo contra o Japão rapidamente se mostrou distinto. Apesar de um início de imposição brasileira, a equipe oscilou entre bons momentos de pressão e um período de instabilidade que quase comprometeu a classificação.

Nos 15 minutos iniciais, o Brasil conseguiu controlar as ações, avançando as linhas e restringindo a saída de bola japonesa. Aos 12 minutos, Matheus Cunha obrigou o goleiro Zion Suzuki a grande defesa em chute rasteiro, num lance que sintetizou a proposta ofensiva verde e amarela: circulação rápida de bola, infiltrações pelo centro e finalização de média distância. Contudo, a partir da metade da etapa, o cenário mudou.

O Japão ajustou a marcação, adiantou o bloco e passou a explorar falhas na construção brasileira. Aos 28 minutos, um erro de passe de Danilo na intermediária defensiva permitiu que Kaishu Sano recuperasse a bola, avançasse com liberdade pelo meio, superasse Casemiro no duelo físico e finalizasse com precisão no canto direito de Alisson. O gol expôs a vulnerabilidade brasileira diante da pressão alta e evidenciou a dificuldade em lidar com a agressividade japonesa sem a mesma organização na saída de bola exibida em jogos anteriores.

A partir daí, o Brasil tornou-se previsível. Vinícius Júnior e Rayan, bem marcados pelos lados, encontraram poucos espaços para o drible. A tentativa de acelerar o jogo sem a devida coordenação levou a sucessivos erros de passe, permitindo ao Japão controlar o ritmo com maior posse e circulação, especialmente no meio-campo. O primeiro tempo terminou com a seleção brasileira ansiosa, afastada da área adversária e obrigada a recuar para conter o toque de bola japonês.

Ajustes no intervalo e virada de postura tática

Para o segundo tempo, Ancelotti foi forçado a mexer: Lucas Paquetá, com dores na coxa esquerda, deu lugar ao atacante Endrick. A alteração não foi apenas uma troca nominal; modificou o desenho ofensivo. O Brasil passou a atuar com maior presença na área, utilizando o jogo aéreo como principal recurso contra um Japão recuado, que claramente optou por proteger a vantagem e explorar contra-ataques pontuais.

Aos seis minutos, Danilo cruzou da direita e Bruno Guimarães testou com força, exigindo mais uma intervenção segura de Suzuki. Dois minutos depois, nova jogada pelo alto: cruzamento de Rayan, desvio de Douglas Santos na segunda trave e finalização de Casemiro bloqueada em cima da linha por Takehiro Tomiyasu. A pressão se converteu em gol aos nove minutos, quando Gabriel Magalhães recebeu de Vinícius Júnior pela esquerda e cruzou com precisão para Casemiro empatar de cabeça, superando Keito Nakamura no duelo dentro da área.

O empate alterou o eixo emocional da partida. O Brasil ganhou confiança, voltou a adiantar as linhas e intensificou as ações pelos flancos, enquanto o Japão, até então confortável com o placar, recuou ainda mais. Aos 12 minutos, Vinícius Júnior protagonizou o lance mais plástico do jogo, ao aplicar um drible entre as pernas de Tomiyasu, deixar Sano para trás com um movimento de corpo e finalizar cruzado, de bico, acertando a trave.

Mesmo sem a virada naquele momento, o movimento tático era evidente: o Brasil passou a combinar cruzamentos, infiltrações curtas e trocas rápidas de posição entre os atacantes, dificultando a leitura defensiva japonesa. A mudança de postura contrastou com o primeiro tempo, em que a equipe brasileira alternou aceleração precipitada e pouca efetividade no terço final do campo.

Martinelli decide em um jogo de paciência

Com o flanco esquerdo funcionando como principal via de escape, Ancelotti promoveu nova alteração ofensiva, trocando Matheus Cunha por Gabriel Martinelli. A partir daí, ele e Vinícius Júnior passaram a se revezar entre a faixa lateral e o corredor interno, abrindo diferentes linhas de passe para Bruno Guimarães e Endrick. A estratégia buscava não apenas amplitude, mas também superioridade numérica entre as linhas japonesas.

O ritmo intenso dos primeiros 15 minutos da etapa final caiu, mas o Brasil manteve o controle territorial. O duelo transformou-se em exercício de paciência: toques curtos, inversões ocasionais e tentativas de encontrar o momento exato para um passe vertical ou cruzamento mais perigoso. O Japão, por sua vez, assumiu postura declaradamente reativa, com as linhas baixas e foco em interceptar e sair em velocidade ao menor erro brasileiro.

Com o relógio se aproximando do fim e a prorrogação despontando como cenário provável, Ancelotti perdeu Casemiro, substituído com dores e trocado por Fabinho. O ajuste manteve o equilíbrio defensivo sem reduzir de forma significativa a capacidade de pressionar no campo adversário. Foi nesse contexto que surgiu o lance decisivo.

Aos 49 minutos, Bruno Guimarães recebeu passe de Rayan e encontrou Martinelli em condição de finalizar dentro da área. O atacante, que havia entrado justamente para elevar a capacidade de definição, bateu cruzado, superando Suzuki. A bola ainda tocou na trave esquerda antes de entrar, definindo a virada brasileira e confirmando a classificação diante de um público de aproximadamente 68 mil torcedores, com maioria de brasileiros, no estádio em Houston.

Relação histórica e simbolismo cultural entre Brasil e Japão

O confronto entre Brasil e Japão extrapolou o campo estritamente esportivo e foi frequentemente descrito, nos dias que antecederam a partida, como um duelo entre “mestre” e “discípulo”. O Japão tem o futebol brasileiro como uma de suas principais referências históricas no desenvolvimento da modalidade no país. Essa influência é visível tanto na presença de jogadores brasileiros que atuaram e se naturalizaram no Japão quanto na própria formação cultural ligada ao esporte.

Ex-jogadores como Zico, ídolo do Flamengo e da seleção brasileira, e Ruy Ramos, que construiu carreira de destaque no futebol japonês e representou a seleção asiática, são considerados figuras centrais nesse intercâmbio. A contribuição brasileira ajudou a moldar o estilo de jogo japonês, combinando disciplina tática, marca registrada das equipes nipônicas, com elementos de criatividade e mobilidade associados ao futebol praticado no Brasil.

Essa relação também se manifesta na cultura pop. Um dos animes de maior popularidade no Brasil no fim dos anos 1990, “Super Campeões”, narra a trajetória de Oliver Tsubasa, personagem inspirado em Musashi Mizushima, ex-jogador japonês que atuou no São Paulo entre 1975 e 1985. No desenho animado, Tsubasa chega a jogar em um clube claramente inspirado no Tricolor paulista, ainda que sob outro nome, e a obra culmina em uma final de Copa do Mundo entre Brasil e Japão, sediada no próprio Japão, numa referência direta ao Mundial de 2002.

No anime, o desfecho da grande decisão é deixado em aberto, interrompido logo após o apito inicial. Já na versão em mangá, os japoneses saem vencedores. Esse detalhe contribuiu para que parte dos torcedores tratasse o duelo de Houston como uma espécie de “continuação” simbólica daquela história ficcional. A vitória brasileira, ao mesmo tempo em que confirma a superioridade histórica da seleção pentacampeã no cenário mundial, reforça a narrativa de respeito mútuo, em vez de rivalidade acirrada, entre as duas escolas.

Implicações esportivas e perspectivas para o Brasil

Do ponto de vista técnico e tático, a partida deixa lições relevantes para o prosseguimento da campanha brasileira na Copa do Mundo de 2026. A dificuldade em lidar com a pressão alta japonesa no primeiro tempo expõe a necessidade de maior consistência na saída de bola sob marcação intensa. Por outro lado, a capacidade de ajuste no intervalo, com a adoção de um plano mais direto e eficiente pelo alto, demonstra flexibilidade estratégica da comissão técnica e dos jogadores.

A boa atuação de Bruno Guimarães como articulador, a importância de Casemiro nas bolas paradas ofensivas e o impacto imediato de Martinelli como alternativa de profundidade e finalização ampliam o leque de soluções à disposição de Ancelotti. A utilização de jovens como Endrick e Rayan em um jogo de mata-mata, em ambiente pressionado e contra adversário disciplinado, também reforça um processo de renovação que convive com a presença de atletas mais experientes.

Para o Japão, o desempenho confirma a evolução de uma seleção que há anos se mantém competitiva em Copas do Mundo, combinando organização defensiva, intensidade física e capacidade de explorar erros adversários. A derrota nos acréscimos não invalida a consistência apresentada durante boa parte da partida, sobretudo no primeiro tempo, quando conseguiu impor seu modelo de jogo e controlar emocionalmente o confronto.

No plano simbólico, o confronto em Houston reiterou a relevância do futebol como ponte cultural entre Brasil e Japão. Seja pela trajetória de atletas que cruzaram o oceano para difundir estilos de jogo, seja pela influência de produtos culturais como os animes, a relação entre os dois países no futebol vai além das quatro linhas. A vitória brasileira por 2 a 1, nos acréscimos, insere mais um capítulo em uma história que mistura competição, cooperação e admiração mútua, enquanto o Brasil segue em busca do hexa e o Japão consolida sua posição como uma das seleções mais respeitadas da Ásia no cenário global.

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