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Espanha elimina Portugal e avança às quartas da Copa de 2026

Jovem Yamal supera Ronaldo, e gol de Merino decide duelo em Dallas

Redação Redação · · 9 min de leitura
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Dezesseis anos após eliminar Portugal nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2010, a Espanha voltou a superar a seleção lusitana na mesma fase do Mundial, desta vez em Dallas, nos Estados Unidos. Com vitória por 1 a 0 nesta segunda-feira (6), a equipe dirigida por Luis de la Fuente garantiu vaga nas quartas de final de 2026 e manteve a escrita em confrontos eliminatórios entre as duas seleções na competição.

O gol decisivo foi marcado aos 45 minutos do segundo tempo pelo volante Mikel Merino, em jogada construída por dois atletas que saíram do banco de reservas. O resultado classificou a Espanha para enfrentar, em Los Angeles, na sexta-feira (10), às 16h (horário de Brasília), o vencedor do duelo entre Estados Unidos e Bélgica, que se enfrentam ainda nesta segunda, em Seattle.

Reedição de um confronto com peso histórico

O encontro em Dallas recolocou frente a frente seleções que, além da rivalidade esportiva, estarão no centro da próxima edição do torneio: Espanha e Portugal serão coanfitriãs da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Marrocos, com partidas inaugurais também no Uruguai, Argentina e Paraguai, em comemoração ao centenário do Mundial.

O duelo reacendeu lembranças da Copa de 2010, na África do Sul, quando a Espanha, então a caminho de seu primeiro título mundial, eliminou Portugal com vitória por 1 a 0 na Cidade do Cabo, também nas oitavas de final. À época, Cristiano Ronaldo tinha 25 anos, já era vencedor de uma Bola de Ouro e esteve em campo na derrota lusitana. Em 2026, o atacante regressou a um cenário semelhante, agora aos 41 anos, novamente sem balançar as redes.

A trajetória recente reforça o peso simbólico da partida para os portugueses. Depois daquela queda em 2010, as seleções voltaram a se enfrentar em grandes competições, sobretudo em Eurocopas, mas sem reencontro decisivo em Copas do Mundo até o confronto em Dallas. A repetição do placar e do estágio da competição consolidou a Espanha como algoz recorrente em fases eliminatórias do torneio.

Juventude x experiência em destaque

O jogo também marcou o embate entre duas gerações opostas do futebol europeu. De um lado, Lamine Yamal, atacante espanhol que completará 19 anos em breve e disputa seu primeiro Mundial; de outro, Cristiano Ronaldo, recordista ao marcar em seis edições de Copa do Mundo e um dos jogadores mais longevos em atividade no torneio, com 41 anos.

A diferença geracional evidencia um ciclo de renovação em curso. Quando a Espanha eliminou Portugal em 2010, Yamal ainda não havia completado três anos de idade. Em 2026, o jovem atacante assumiu protagonismo em diversos momentos do jogo, exigindo ao menos duas grandes defesas de Diogo Costa e participando ativamente da construção ofensiva espanhola, especialmente em bolas paradas e associações pelo lado direito.

Ronaldo, por sua vez, teve participação discreta na maior parte da partida. No primeiro tempo, recebeu bom lançamento de Bruno Fernandes pela direita, invadiu a área e finalizou forte, mas parou no goleiro Unai Simón. Ao longo do jogo, foi bem marcado por Aymeric Laporte e pela cobertura defensiva espanhola, com poucas oportunidades claras. A atuação reforça a percepção de transição de protagonismo na seleção portuguesa, ainda que o próprio atacante tenha afirmado recentemente que pretende encerrar a carreira “quando quiser”. Em 2030, ano do Mundial em casa, o jogador terá 45 anos.

Domínio espanhol e brilho dos goleiros

A Espanha repetiu a escalação da vitória por 3 a 0 sobre a Áustria na fase anterior, apostando em posse de bola, circulação rápida e ocupação do campo adversário. Portugal, comandado por Roberto Martínez, fez uma alteração em relação ao time que virou sobre a Croácia por 2 a 1: João Félix assumiu a vaga de Rafael Leão no ataque, opção que indicava um plano de maior presença entrelinhas e associação com Ronaldo.

O início do jogo confirmou o desenho de um confronto aberto. Logo aos sete minutos, Dani Olmo lançou Mikel Oyarzabal em profundidade, nas costas da zaga portuguesa, em lance que terminou com finalização para fora, diante de Diogo Costa. A resposta veio aos 11 minutos, com Bruno Fernandes encontrando Cristiano Ronaldo em condição de avançar com liberdade pela direita, em jogada que obrigou Unai Simón a intervir com firmeza.

A partir daí, os goleiros foram decisivos para manter o placar zerado. Diogo Costa realizou duas defesas em sequência após finalizações de Yamal e Álex Baena, ambas com potencial de abrir o marcador para a Espanha. Do outro lado, Simón salvou a Fúria em cabeceio de João Félix, na pequena área, e na sequência de lance em que, após rebote, Cristiano Ronaldo finalizou de costas para o gol vazio, permitindo recuperação do arqueiro espanhol.

O momento de maior perigo para os portugueses ocorreu aos 40 minutos da etapa inicial. Em cobrança de escanteio curta, Nuno Mendes arriscou chute de média distância, que explodiu no travessão após desvio de cabeça de Pedro Porro. A bola ainda desceu próxima à linha, mas não ultrapassou o gol, configurando o mais alto índice de ameaça portuguesa antes do intervalo.

Banco de reservas decide confronto em Dallas

O segundo tempo apresentou ritmo menos intenso e maior tensão, com as duas seleções alternando momentos de cautela e pressão localizada. A Espanha manteve a iniciativa ofensiva, mas encontrou mais dificuldades para romper o último terço do campo, esbarrando em marcação compacta de Portugal e em pequenos erros no passe decisivo.

Pedri voltou a aparecer como articulador central, com chute perigoso aos 15 minutos, desviado por Renato Veiga e passando próximo ao travessão. As melhores oportunidades espanholas, entretanto, surgiram em bolas paradas, sobretudo nas cobranças de falta executadas por Lamine Yamal, que obrigaram Diogo Costa a novas intervenções.

Com o jogo truncado, as comissões técnicas recorreram aos bancos de reservas. Luis de la Fuente promoveu a entrada de Ferran Torres, aumentando a profundidade pelo lado esquerdo. Aos 33 minutos, o atacante quase decidiu em jogada construída com Yamal, ao cruzar rasteiro para a área em lance que exigiu corte de Nélson Semedo, já com o goleiro batido.

O gol da classificação espanhola refletiu justamente a contribuição dos suplentes. Aos 45 minutos, Ferran Torres recebeu passe de Rodri na entrada da área e encontrou Mikel Merino infiltrando em diagonal. O volante, vindo de trás, finalizou com precisão na saída de Diogo Costa, definindo a partida em momento em que Portugal já demonstrava dificuldades para reorganizar a transição defensiva.

Portugal se lança ao ataque, mas falha na execução

Depois de sofrer o gol, a seleção portuguesa avançou todas as linhas em busca do empate, porém com pouca coordenação tática. A equipe passou a ocupar o campo ofensivo de forma quase total, abrindo espaços para contra-ataques espanhóis, embora a Fúria tenha optado majoritariamente por administrar a posse e reduzir o ritmo do jogo.

Nos acréscimos, Portugal criou duas oportunidades para levar a decisão à prorrogação. Francisco Conceição cruzou pela direita e encontrou Bernardo Silva, que cabeceou para fora. Pouco depois, em nova bola alçada à área, foi a vez de Bernardo servir Conceição, que desperdiçou a chance, encerrando a reação lusitana no Mundial de 2026.

O desfecho reforça um padrão observado ao longo da campanha portuguesa: capacidade de criar fases de pressão intensa, mas com dificuldades de conversão em gols diante de defesas bem estruturadas. Também evidenciou o peso do detalhe em confrontos eliminatórios, nos quais uma única desatenção na marcação ou pequena quebra de linha pode definir o destino de seleções que aspiram chegar às fases finais.

Implicações para o Mundial e para 2030

A classificação espanhola para as quartas de final reacende o debate sobre a capacidade da geração atual em repetir o desempenho do ciclo 2008–2012, quando o país conquistou dois títulos de Eurocopa e uma Copa do Mundo. Com base em jovens como Yamal e em um meio-campo técnico, liderado por Pedri e Rodri, a equipe demonstra consistência tática e controle de jogo, mesmo diante de adversários de alto nível.

Para Portugal, a eliminação em Dallas tende a ser analisada sob dois prismas principais. O primeiro diz respeito ao futuro da seleção em torno da figura de Cristiano Ronaldo, considerando idade, desgaste acumulado e o ciclo até 2030, quando o país será um dos anfitriões do Mundial. O segundo envolve ajustes estruturais para tornar o time menos dependente de ações individuais e mais eficiente na conversão de oportunidades, sobretudo em jogos de mata-mata.

Em termos mais amplos, o confronto entre Espanha e Portugal em solo norte-americano também antecipa o protagonismo europeu na organização dos próximos Mundiais. Em 2026, a Copa é disputada em três países da América do Norte; em 2030, será dividida entre Europa, África e América do Sul. Nesse cenário, o desempenho esportivo de seleções que sediarão a próxima edição tende a influenciar expectativas, investimentos e planejamento para o ciclo seguinte.

Ao repetir o roteiro de 2010, a Espanha não apenas manteve a tradição de superar Portugal em oitavas de final, como também reforçou a imagem de equipe competitiva em fases decisivas. Já Portugal deixa o torneio com a sensação de oportunidade perdida e a necessidade de redesenhar seu projeto esportivo para chegar a 2030 com um elenco equilibrado entre experiência e renovação.

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