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Julgamento de Bolsonaro pode mudar cenário em 2026

Redação Redação · · 4 min de leitura
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Bolsonaro

A Primeira Turma do STF abriu esta semana o que pode ser um dos capítulos mais decisivos da política brasileira recente: a Ação Penal 2668, que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por uma suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. Em linguagem direta: estamos falando de acusações que incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e outros crimes graves — um rol que, se resultar em condenação, pode somar mais de 40 anos de pena. Para entender a gravidade, pense num edifício institucional com fundações rachadas; o julgamento é uma avaliação técnica dessas rachaduras e das medidas necessárias para reparar (ou não) a estrutura.

No plano estritamente jurídico, há dois pontos centrais que merecem atenção técnica. Primeiro, a pena eventualmente aplicada pelo STF só produz efeitos plenos depois do trânsito em julgado — ou seja, quando não couber mais recurso — e é nesse momento que a perda de direitos políticos pode se consolidar. Segundo, a inelegibilidade já imposta pelo TSE até 2030 poderia, em caso de condenação criminal definitiva, ser estendida pelo tempo de cumprimento da pena, conforme interpretação constitucional sobre perda de direitos políticos. Em termos práticos: um veredito condenatório no STF não se traduz em efeito político imediato, mas altera o tabuleiro eleitoral de forma duradoura.

Politicamente, o cenário é um jogo de xadrez em movimento. Bolsonaro, mesmo cumprindo prisão domiciliar e com restrições, tem se apresentado como pré-candidato em 2026 — uma estratégia que não é só teatral; é compra de relevância política e manutenção de capital eleitoral junto à base. Para o chamado Centrão, essa postura cria um dilema existencial: manter distância para preservar alianças institucionais e eleitorais, ou voltar a mirar no eleitorado bolsonarista caso o custo de afastamento se torne maior do que o risco de associação. Em linguagem menos acadêmica: o Centrão está tentando decidir se troca um carro popular por um fusca com motor potente — tem que avaliar desempenho e reputação.

“Herdeiro” de Bolsonaro

Quem herda esse eleitorado é outra peça-chave. Analistas já apontaram o governador Tarcísio de Freitas como o provável herdeiro do capital político bolsonarista — ele tem perfil e alianças que o colocam como opção natural. Mas herdar votos não é como receber uma herança pronta: é preciso construir legitimidade, costurar alianças e, sobretudo, resistir ao desgaste que vem com expectativas elevadas. O exemplo histórico de 2018, quando um líder preso precisou transferir a candidatura a um substituto, mostra que o timing e a escolha do “herdeiro” podem determinar o sucesso ou o fracasso eleitoral.

Há também um componente estratégico que vale ser ressaltado: se Bolsonaro quisesse maximizar influência sem ser candidato, o caminho racional seria nomear e estruturar um sucessor claro — com agendas combinadas e mecanismos de coordenação. Mas o perfil de líderes carismáticos costuma resistir a essa passagem de bastão: identidade, centralidade e controle do discurso tornam essa operação política delicada. Em suma, a probabilidade de Bolsonaro ceder protagonismo é baixa, e isso mantém o bolsonarismo como um bloco ainda dependente de sua figura.

Para o eleitor e para quem acompanha a política, por que isso importa? Porque o veredito do STF tem potencial para redesenhar alianças, influenciar a estratégia do Centrão, e definir se o bolsonarismo entra nas eleições de 2026 como força coesa ou fragmentada. Além disso, a execução — ou não — da pena e a consolidação de inelegibilidade podem reconfigurar candidaturas e forçar escolhas táticas de última hora, com efeitos diretos na dinâmica entre direita, centro e esquerda.

Em linguagem visual: imagine a cena eleitoral como um tabuleiro de dominó alinhado. O julgamento é uma mão que empurra uma peça: dependendo da força do empurrão e de quais peças caírem primeiro, o efeito cascata pode ser pequeno (algumas peças) ou massivo (toda a fileira). O país assiste atento, porque o desfecho não é apenas penal — é político, institucional e simbólico. E, claro, num tom mais leve: não é todo dia que a política brasileira oferece um roteiro com tantos personagens e reviravoltas, embora, se fosse novela, o público já estaria comentando nos intervalos.

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