O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado do exercício do cargo por determinação judicial após operação deflagrada pela Polícia Federal. A medida cautelar, inicialmente prevista para vigorar por um ano, impõe-lhe o uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições, entre as quais a proibição de manter contato com os demais investigados e de se ausentar do município — medidas adotadas como alternativa ao pedido de prisão formulado pela PF.
As investigações, segundo apurado, tiveram como estopim a apreensão, em julho, de R$ 14 milhões em espécie com um servidor classificado como foragido, cujo exame de conteúdo de celular apontou, conforme fontes policiais, pagamentos de contas atribuídos ao prefeito e à sua família. Essa apreensão motivou uma apuração mais ampla sobre supostas práticas de pagamento de propinas vinculadas a contratos municipais nas áreas de obras, saúde e manutenção.
Prefeito e auxiliares
Além do chefe do Executivo, figuram entre os alvos da investigação o presidente da Câmara Municipal, Danilo Lima (Podemos), primo do prefeito, e o suplente de vereador Ary José Oliveira (PRTB), cujas residências e documentos foram objeto de buscas. Diligências realizadas nesta fase da operação se estenderam por cinco municípios — São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá e Diadema — e resultaram em novas apreensões de valores cujo montante ainda se encontra em processo de contabilização.
Os investigados podem vir a responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, nas modalidades ativa e passiva, conforme as informações divulgadas até o momento. A Prefeitura de São Bernardo do Campo não havia emitido posicionamento oficial até a publicação das reportagens. O deputado Rodrigo Moraes (PL), vinculado ao auxiliar legislativo apontado nas investigações, declarou surpresa diante das acusações tornadas públicas e anunciou a exoneração do servidor.
Em entrevista, um dos alvos relatou ter recebido agentes em sua residência, tendo seu aparelho celular apreendido para perícia, sem registro público de apreensões de documentos no local. Com o afastamento, o vice-prefeito assumiu interinamente as funções.
O episódio reaviva o debate sobre a permeabilidade das estruturas públicas a esquemas de corrupção, a necessidade de mecanismos mais eficazes de controle e transparência na gestão municipal e a responsabilidade coletiva — inclusive eleitoral — diante de sinais de irregularidade na administração local. Suscita-se, ainda, a indagação sobre a eficácia das sanções cautelares e das investigações no desmantelamento de eventuais redes de favorecimento que comprometem políticas públicas.
Palavras-chave: São Bernardo do Campo, corrupção, Polícia Federal, tornozeleira eletrônica, lavagem de dinheiro