O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP) atualizou neste mês o Projeto Supra, iniciativa voltada a acelerar o diagnóstico e o tratamento de pacientes com suspeita de infarto. A estratégia integra telemedicina, regulação municipal, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e hemodinâmica hospitalar, com meta de concluir os atendimentos em até 90 minutos.
O treinamento reuniu 78 profissionais, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e recepcionistas do CAIS Nova Era, das UPAs Brasicon, Flamboyant, Colina Azul e Buriti Sereno, além de equipes do SAMU 192 de Aparecida de Goiânia. A atualização reforçou a necessidade de atuação coordenada entre os diferentes pontos da rede de urgência e emergência para reduzir o tempo entre a suspeita clínica e a intervenção definitiva.
Projeto Supra integra telemedicina e resposta hospitalar
Em casos de infarto, a rapidez no atendimento é determinante para reduzir danos ao músculo cardíaco. No HMAP, o Projeto Supra foi estruturado para encurtar etapas que, em cenários tradicionais, costumam consumir tempo relevante entre a chegada do paciente ao serviço e o início do tratamento especializado. A iniciativa funciona desde agosto de 2023 e já atendeu 420 pacientes, segundo a gestão municipal.
O fluxo começa ainda na unidade de origem ou na abordagem do SAMU. Assim que há suspeita de infarto, o paciente realiza eletrocardiograma e o exame é encaminhado por plataforma de inteligência artificial para cardiologistas do Einstein, em São Paulo. O laudo retorna em até 10 minutos. Caso o resultado indique infarto agudo do miocárdio, um alerta é enviado simultaneamente à regulação do município, ao HMAP e ao SAMU, que realiza a transferência do paciente em até 20 minutos.
A lógica do sistema é reduzir a distância entre a suspeita e a confirmação diagnóstica. Na prática, a telemedicina funciona como ferramenta de triagem especializada em tempo real, enquanto a rede municipal atua como braço operacional para garantir que o paciente chegue rapidamente ao serviço apto a realizar hemodinâmica.
Treinamento padroniza fluxos e reforça comunicação entre equipes
A atualização realizada em julho teve como foco revisar protocolos assistenciais, fluxos de encaminhamento e atribuições de cada profissional ao longo da linha de cuidado. O objetivo, segundo a coordenação do hospital, é alinhar a conduta das equipes desde a porta de entrada da urgência até o atendimento na hemodinâmica, etapa em que ocorre a desobstrução da artéria responsável pelo evento cardíaco.
Essa padronização é considerada crucial em situações de emergência, nas quais qualquer atraso pode comprometer o prognóstico. Em redes de atenção ao infarto, a comunicação entre recepção, enfermagem, serviço pré-hospitalar, regulação e equipe médica é parte do próprio tratamento, não apenas uma etapa administrativa. Quanto mais integrado for o fluxo, maior a probabilidade de o paciente chegar ao procedimento definitivo dentro da janela recomendada.

O treinamento também buscou nivelar o conhecimento dos profissionais sobre sinais de alerta, critérios de encaminhamento e prioridades operacionais. Ao envolver trabalhadores de diferentes pontos da rede, a capacitação reforça a ideia de que o atendimento ao infarto depende menos de uma unidade isolada e mais da articulação entre serviços com funções distintas.
“Tempo é músculo” resume a urgência do atendimento pós infarto
O secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, afirmou que o projeto representa prioridade da gestão ao sustentar capacitação permanente e protocolos mais rápidos. A avaliação sintetiza uma diretriz reconhecida na cardiologia de urgência: o tempo entre o início dos sintomas e a reperfusão da artéria obstruída está diretamente relacionado à chance de recuperação do paciente.
A coordenadora da hemodinâmica e do pronto atendimento do HMAP, Joyce Landin, destacou que o treinamento busca fortalecer a comunicação e definir com clareza o papel de cada integrante da rede. Segundo ela, quando todos conhecem o fluxo, o paciente chega mais rapidamente ao hospital e a equipe consegue antecipar a preparação para o procedimento. Isso reduz o intervalo até a restauração do fluxo sanguíneo e aumenta as chances de um desfecho favorável.
A técnica de enfermagem Sandra Martins dos Passos, da UPA Buriti Sereno, também enfatizou a importância da atualização contínua dos protocolos. Em atendimentos de urgência, a padronização reduz dúvidas operacionais e melhora a resposta do serviço diante de sinais compatíveis com infarto, quadro em que a rapidez da conduta é fator decisivo.
Na linguagem da cardiologia, a expressão “tempo é músculo” resume a gravidade do processo. Quanto mais longa a obstrução da artéria coronária, maior a perda de células cardíacas e mais elevado o risco de sequelas, como insuficiência cardíaca. Por isso, programas que encurtam o caminho até a hemodinâmica têm peso direto na preservação da função cardíaca.
Rede estruturada para encurtar o caminho até a hemodinâmica
O Projeto Supra combina três pilares centrais: identificação precoce, confirmação rápida do diagnóstico e transferência ágil para o tratamento especializado. A presença do SAMU, das unidades de pronto atendimento e do HMAP no mesmo desenho assistencial permite que o paciente seja deslocado com maior previsibilidade e que o hospital receba, com antecedência, as informações necessárias para a preparação da equipe.
Esse tipo de organização é particularmente relevante em um contexto em que o infarto permanece entre as principais emergências clínicas e exige resposta coordenada. O valor agregado da iniciativa não está apenas na tecnologia da telemedicina, mas na capacidade de transformar informação clínica em ação operacional em poucos minutos.

Na prática, a inteligência artificial auxilia na leitura do eletrocardiograma e reduz a dependência de deslocamentos ou esperas prolongadas por laudos presenciais. Em seguida, a rede municipal entra em ação para viabilizar a transferência e a continuidade do cuidado. O resultado esperado é um atendimento com menos variabilidade e maior previsibilidade de tempo.
Capacitação permanente sustenta a rede de urgência
A reciclagem periódica das equipes é um dos elementos mais importantes para a manutenção da eficiência do projeto. A experiência de redes assistenciais mostra que protocolos bem desenhados perdem eficácia quando não são revisados, praticados e atualizados com frequência. Por isso, a gestão municipal aposta em treinamentos recorrentes para manter o padrão de resposta.
No caso de Aparecida de Goiânia, a integração entre unidades de pronto atendimento, SAMU e hospital de referência indica uma tentativa de consolidar uma linha contínua de cuidado cardiovascular. A meta de 90 minutos para o atendimento completo funciona como parâmetro de qualidade e como referência para o trabalho cotidiano das equipes.
Com 420 pacientes atendidos desde a implantação e uma atualização recente que envolveu dezenas de profissionais da rede, o Projeto Supra se apresenta como uma estratégia de organização do fluxo assistencial em cardiologia de urgência. A continuidade da capacitação e a manutenção da integração entre os serviços serão decisivas para sustentar os resultados e preservar a velocidade da resposta diante do infarto.
Ao reforçar protocolos, comunicação e uso da telemedicina, o HMAP busca reduzir o intervalo entre a suspeita e a intervenção definitiva. Em um quadro clínico no qual minutos podem definir o desfecho, a articulação entre tecnologia, treinamento e rede assistencial passa a ser o eixo central da política local de atendimento ao infarto.