Centro de Goiânia passa a ter velocidade de 50 km/h

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A Prefeitura de Goiânia anunciou, nesta terça-feira (3), a elevação do limite de velocidade de 40 km/h para 50 km/h em vias estruturais do Centro da capital. A medida, baseada em estudo técnico da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), visa adequar a sinalização às características das vias e melhorar a fluidez do tráfego, mantendo padrões de segurança viária.

Base técnica da alteração

O ajuste decorre de análise que identificou incompatibilidade entre o limite anterior de 40 km/h e as condições das vias selecionadas, caracterizadas por múltiplas faixas, boa visibilidade e traçado predominantemente reto. Levantamento da administração municipal revelou que a velocidade média praticada pelos motoristas variava entre 48 km/h e 55 km/h, o que comprometia a adesão à sinalização e gerava instabilidade no fluxo.

"Foi constatado que o limite de 40 km/h se mostrou incompatível com as características dessas vias. Nosso levantamento apontou também que a maior parte dos motoristas já circulava entre 48 km/h e 55 km/h, então estamos formalizando em 50 km/h", explicou o prefeito Sandro Mabel.

A mudança abrange exclusivamente vias arteriais e coletoras de grande circulação, preservando o limite de 40 km/h em ruas locais e áreas residenciais. As avenidas afetadas incluem Araguaia e Tocantins (arteriais principais), Paranaíba (arterial secundária e coletora principal), Anhanguera (arterial estrutural e eixo troncal) e Rua 3 (coletora principal). Esses trechos contam com faixas de pedestres sinalizadas, semáforos e sinalização…

Implantação da Zona 50 e sincronização semafórica

Como complemento à elevação do limite, a prefeitura implanta a sinalização vertical e horizontal da denominada Zona 50, com previsão de conclusão em até três dias pela SET. Paralelamente, será ativada a sincronização de semáforos por meio da Onda Verde, sistema que coordena os sinais para reduzir paradas desnecessárias e otimizar o deslocamento.

Os radares instalados nas vias já foram reprogramados para o novo limite de 50 km/h, mas a fiscalização autônoma iniciará somente após a substituição integral da sinalização e nova aferição pelo Inmetro, garantindo conformidade técnica e transparência no processo.

"Observamos que essas vias apresentavam a necessidade de outra velocidade para dar mais fluidez, mantendo a segurança viária da região. Esse é um pedido antigo de comerciantes e usuários da região", afirmou Tarcísio Abreu, titular da SET.

O estudo da SET enfatiza que limites inferiores à velocidade natural das vias tendem a ser ignorados por parte dos condutores, erodindo a credibilidade da sinalização e elevando a variabilidade de velocidades, fator de risco para colisões. A adequação busca equilibrar fluidez e segurança, alinhando-se a demandas de usuários e comerciantes locais.

Contexto histórico e comparativo em Goiânia

Goiânia adota desde 2019 uma política progressiva de zonas de velocidade diferenciadas, com a Zona 40 implementada em áreas centrais para proteção de pedestres e ciclistas. A transição para Zona 50 em vias estruturais representa refinamento dessa estratégia, fundamentado em dados empíricos de tráfego e sinistralidade. Registros dos últimos cinco anos confirmam ausência de vítimas nos trechos selecionados, reforçando a viabilidade da medida.

No âmbito nacional, ajustes semelhantes ocorrem em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, onde estudos de engenharia de tráfego calibram limites com base em perfis viários. Em Goiânia, a iniciativa insere-se em plano municipal de mobilidade que prioriza sincronização semafórica e sinalização inteligente, com investimentos em tecnologias como a Onda Verde para mitigar congestionamentos no Centro.

A gestão municipal destaca que a alteração não implica flexibilização da fiscalização, mas sim alinhamento técnico às realidades operacionais. A SET monitorará os impactos por meio de indicadores de fluxo, adesão e sinistros, com possibilidade de revisões futuras baseadas em evidências.

Implicações para mobilidade urbana

A elevação do limite no Centro de Goiânia pode reduzir tempos de percurso em até 15%, conforme projeções iniciais da Onda Verde, beneficiando o comércio e o transporte público na região. Contudo, a efetividade dependerá da adesão coletiva e da manutenção da sinalização, em um contexto de crescente motorização urbana na capital goiana, que registrou expansão de 8% na frota veicular nos últimos dois anos.

A medida reforça a abordagem data-driven na gestão de tráfego, priorizando análises quantitativas sobre imposições uniformes. Goiânia posiciona-se assim como referência em adaptações viárias contextualizadas, com potencial para replicação em outras zonas de tráfego intenso.