Tarifaço: Fabricas dão férias coletivas

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O aumento para 50% nas tarifas sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, o tarifaço implementado no início de agosto (após uma tarifa inicial de 10% em abril), não é só um dado econômico: é um soco no assoalho das fábricas de madeira processada. O setor ficou fora da lista de 694 produtos isentos e, como consequência, viu cadeias produtivas…

Os sinais já são práticos e imediatos. Muitas empresas que dependem do mercado norte-americano adotaram férias coletivas para ajustar custos; houve casos de suspensão total de produção, com empresas colocando mais de 65% do quadro de funcionários em licença — por exemplo, 720 empregados de um total de 1.100. Se isso não for revertido, cortes mais profundos serão inevitáveis. Pense…

O tamanho do problema ajuda a entender o temor: o setor exportou cerca de US$ 1,6 bilhão aos EUA em 2024, com, em média, 50% da produção nacional destinada ao mercado norte-americano. Estima-se que até 180 mil empregos diretos estão em risco — e a produção está fortemente concentrada no Sul (cerca de 90% em Paraná, Santa Catarina e Rio…

moulding e o tarifaço

Tecnicamente, o problema se agrava pela alta especificidade dos contratos. Muitos produtos — como mouldings (molduras e acabamentos) fabricados especialmente para o padrão norte-americano — não têm mercado alternativo imediato. Imagine uma fábrica que produz sapatos sob medida para um único cliente gigante: não é só trocar a etiqueta e sair vendendo por aí. A customização torna a elasticidade de…

No campo diplomático e regulatório, há outra camada: os Estados Unidos abriram uma investigação comercial citando preocupações com o combate ao desmatamento ilegal. Do lado brasileiro, grande parte da madeira processada exportada ao mercado norte-americano provém do Sul, de florestas plantadas — mais de 95% da produção nacional processada vem dessa região. Ainda assim, a investigação aumenta a incerteza comercial…

Então, qual é o caminho prático? Primeiro, negociar redução ou isenção das tarifas junto ao parceiro comercial é essencial: sem mercado, linhas e empregos continuam vulneráveis. Simultaneamente, o setor precisa acelerar a diversificação de clientes e produtos (reengenharia de itens altamente customizados para ampliar mercados), ampliar certificações de origem e rastreabilidade e investir em inteligência comercial para identificar destinos alternativos…

Para fechar: estamos diante de uma tempestade que poderia ter previsão meteorológica — e, mesmo assim, exige respostas rápidas e coordenadas. Não se trata só de números; são vidas, cidades e microeconomias regionais que dependem da roda da transformação da madeira. Se o setor souber combinar negociação internacional, certificação rigorosa e diversificação de mercado, há chance de amortecer o impacto.…