A Prefeitura de Goiânia informou que mantém uma rede permanente de atendimento à população em situação de rua, com ações de abordagem social, acolhimento institucional e encaminhamento para serviços públicos. Segundo a gestão municipal, o número estimado de pessoas nessa condição caiu de mais de 4 mil, em janeiro de 2025, para menos de mil atualmente.
O recuo é atribuído ao trabalho contínuo da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, em articulação com outras áreas da administração e parceiros da rede de proteção. O atendimento é realizado por equipes que percorrem a cidade diariamente, identificando situações de vulnerabilidade e oferecendo respostas imediatas e encaminhamentos de médio prazo.
Abordagem social ocorre em todas as regiões da capital
As equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social, conhecido como SEAS, realizam buscas ativas em diferentes pontos da capital. O trabalho inclui escuta qualificada, acolhimento humanizado e orientação sobre acesso a documentação civil, saúde, benefícios sociais, tratamento para dependência química e retorno ao convívio familiar, quando possível.
De acordo com a administração municipal, entre janeiro de 2025 e abril de 2026, o SEAS realizou 16.002 atendimentos em ações de abordagem social. No mesmo período, o Centro POP contabilizou 194.914 atendimentos, com oferta de alimentação, espaço para higiene pessoal, guarda de pertences e apoio técnico especializado. Os dados indicam uma rede de atendimento intensiva e de grande circulação diária.
A estratégia adotada pela Prefeitura combina presença territorial e encaminhamento para serviços de maior complexidade. Na prática, o atendimento não se limita ao acolhimento emergencial, mas busca integrar a pessoa atendida a um circuito de proteção social capaz de reduzir a permanência prolongada nas ruas.
Acolhimento institucional e reinserção social
Quando há necessidade de pernoite ou proteção imediata, a prefeitura oferece vagas em unidades especializadas. Nesse intervalo, foram registrados 6.158 acolhimentos emergenciais, beneficiando 1.052 pessoas, segundo a gestão. O dado sugere uso recorrente da rede por parte de usuários com histórico de vulnerabilidade contínua, o que reforça a complexidade do fenômeno social.
Além do acolhimento emergencial, a rede inclui as Casas de Acolhida Cidadã, que funcionam como estruturas voltadas à proteção temporária e ao encaminhamento assistido. A unidade Cidadã 1 registrou 2.442 acolhimentos, enquanto a Cidadã 2 somou 1.003 pessoas acolhidas no período informado.
Esses dispositivos são relevantes porque oferecem condições mínimas de segurança, alimentação e higiene, ao mesmo tempo em que permitem acompanhamento técnico. Em políticas públicas voltadas à população em situação de rua, a permanência em abrigos pode ser etapa intermediária para a reconstrução de vínculos familiares, obtenção de documentos e acesso a trabalho e renda.
Rede de proteção busca tratar causas e não apenas efeitos
A secretária municipal Erizania Freitas afirmou que o trabalho da assistência social é orientado pela garantia de direitos e pela dignidade da pessoa humana. A gestão defende que cada atendimento representa uma chance de recomeço, por meio de uma rede de serviços destinada a promover autonomia, fortalecimento de vínculos e inclusão social.
Na leitura da administração, a atuação integrada é necessária porque a situação de rua costuma reunir fatores simultâneos, como ruptura familiar, precariedade de renda, uso abusivo de substâncias, transtornos de saúde mental e perda de documentos. Por isso, o atendimento envolve desde a orientação social até o encaminhamento para saúde, qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho.
A prefeitura também afirma que a estratégia adotada respeita a realidade e o tempo de cada usuário. Esse ponto é central em políticas de assistência social, uma vez que a saída da rua raramente ocorre de forma imediata e depende de acompanhamento continuado, articulação entre serviços e disponibilidade de vagas em diferentes políticas públicas.
Redução do contingente estimado e desafios da política pública
A administração municipal destaca que o contingente estimado de pessoas em situação de rua caiu de mais de 4 mil para menos de mil em aproximadamente um ano e meio. O dado, embora expressivo, precisa ser lido com cautela técnica, já que estimativas dessa natureza variam conforme metodologia, período de coleta e grau de circulação da população atendida.
Mesmo com a redução anunciada, o tema permanece estrutural. Em cidades de médio e grande porte, a situação de rua é influenciada por fatores econômicos, habitacionais e sociais que se acumulam ao longo do tempo. Assim, a queda no número estimado não elimina a necessidade de presença constante das equipes nem dispensa investimentos em prevenção, acolhimento e reinserção.
Em Goiânia, a rede apresentada pela prefeitura procura responder a essa complexidade por meio de funcionamento ampliado. O SEAS atua de segunda a sexta-feira das 7h às 23h e, aos fins de semana e feriados, das 7h às 19h. O Centro POP atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. Já as Casas de Acolhida Cidadã funcionam em regime ininterrupto, o que amplia a capacidade de resposta em situações de urgência.
Serviços têm foco em proteção e porta de saída da rua
A lógica da política municipal é criar uma porta de entrada para a rede de proteção e, ao mesmo tempo, uma porta de saída da rua. Isso envolve documentação civil, acesso a benefícios, encaminhamento para saúde, cuidado com dependência química, apoio para reconstrução de vínculos e oportunidades de qualificação profissional.
Esse desenho é considerado essencial em políticas de assistência, porque a simples retirada de uma pessoa da via pública não resolve o problema de forma duradoura. Sem acompanhamento, há risco de retorno à rua em pouco tempo. Por isso, a administração municipal sustenta que o atendimento precisa ser contínuo, territorializado e articulado com outras áreas do poder público.
No caso de Goiânia, o volume de atendimentos acumulado entre 2025 e 2026 mostra uma rede de funcionamento intenso e com múltiplos pontos de apoio. O desafio, daqui em diante, será manter a capacidade operacional, preservar a oferta de serviços e sustentar a redução do número de pessoas em situação de rua com políticas de médio e longo prazo.
Com atendimento diário, acolhimento institucional e encaminhamentos para reinserção social, a Prefeitura de Goiânia afirma ter consolidado uma resposta mais ampla ao problema. A tendência, segundo a própria gestão, é que a continuidade das ações siga sendo determinante para reduzir a permanência nas ruas e ampliar as possibilidades de reconstrução de vida para a população em maior vulnerabilidade.