Julho Amarelo: Goiânia intensifica campanha de combate às hepatites virais

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Com o início do mês de julho, a Prefeitura de Goiânia, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), lança a edição 2026 da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico das hepatites virais. A iniciativa reforça a oferta de testes rápidos gratuitos e o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em um cenário epidemiológico que registrou 675 notificações da doença entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

A programação inclui ações de testagem em pontos estratégicos da capital, além da disponibilidade permanente de exames em todas as unidades básicas de saúde. O objetivo central da campanha é ampliar o diagnóstico precoce, reduzir a transmissão comunitária e prevenir complicações graves, como cirrose e câncer de fígado, associadas especialmente às hepatites dos tipos B e C.

Cenário epidemiológico e perfil da doença

Segundo dados da SMS, Goiânia contabilizou 545 casos de hepatites virais ao longo de 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, já foram notificados 130 novos registros, totalizando 675 ocorrências no período de 18 meses. As hepatites virais são infecções que comprometem o fígado e podem ser causadas pelos vírus classificados nas categorias A, B, C, D e E. Entre…

A transmissão ocorre principalmente por meio do contato com sangue contaminado, relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de objetos perfurocortantes — como agulhas, lâminas e alicates de unha — e pela via vertical, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A infecção pelo tipo A, por sua vez, está mais associada à ingestão de água e alimentos contaminados, sendo comum em áreas com saneamento precário.

Sintomas, diagnóstico e tratamento pelo SUS

Embora a maioria das infecções por hepatite B e C seja assintomática, quando os sinais clínicos se manifestam, incluem fadiga persistente, febre, mal-estar generalizado, náuseas, vômitos, dor abdominal, icterícia (pele e olhos amarelados), urina de coloração escura e fezes esbranquiçadas. A ausência de sintomas na fase inicial contribui para que grande parte dos portadores desconheça sua condição, retardando o início…

O diagnóstico é realizado por meio de testes rápidos disponíveis gratuitamente nas unidades básicas de saúde da capital. Quando o resultado é reagente, a SMS oferece acolhimento, acompanhamento clínico, encaminhamento para exames complementares e início imediato do tratamento, conforme protocolos do Ministério da Saúde. Os medicamentos antivirais de ação direta (DAAs), disponibilizados pelo SUS, apresentam taxas de cura superiores a…

O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, ressaltou a importância do diagnóstico precoce como estratégia de redução de morbimortalidade.

“As hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa por muitos anos. Quando descobertas precocemente, é possível iniciar o tratamento no momento adequado, reduzindo riscos de complicações como cirrose e câncer de fígado. Por isso, é fundamental que a população aproveite a oferta gratuita de testes e procure uma unidade de saúde sempre que houver indicação.”

Calendário de ações itinerantes e ampliação do acesso

Além da oferta permanente de testagem nas unidades básicas, a SMS programou uma série de ações itinerantes ao longo de julho, com foco na testagem rápida para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo hepatites B e C, HIV e sífilis. As atividades contemplam também orientações sobre prevenção, distribuição de preservativos e encaminhamento para tratamento dos casos positivos.

O cronograma prevê quatro grandes ações em locais de elevado fluxo de pessoas:

1º de julho — Romaria de Trindade, em parceria com o Instituto Rondon, a partir das 18h;

8 de julho — Órion Business & Health Complex, às 9h;

11 de julho — Avenida Ricardo Paranhos, às 8h;

14 de julho — Araguaia Shopping, às 9h.

A escolha de locais de grande circulação — como centros comerciais, corredores viários e eventos religiosos — visa alcançar públicos diversos, incluindo trabalhadores, peregrinos e frequentadores de espaços de lazer, ampliando o alcance da detecção precoce para além do público que habitualmente procura os serviços de saúde.

Contexto nacional e desafios da eliminação

A campanha Julho Amarelo integra o calendário oficial de saúde do Brasil, instituído pela Lei nº 13.802/2019, e se alinha às metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. O Brasil assumiu compromisso com a estratégia de redução de novas infecções e de mortalidade associada às hepatites, por meio de políticas de testagem ampliada, vacinação contra a hepatite B e tratamento universal pelo SUS.

A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente no calendário nacional de imunização e é considerada a principal ferramenta de prevenção primária. Já para a hepatite C, não existe vacina, o que torna a testagem em massa e o tratamento imediato as estratégias mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão. A ausência de sintomas em fases iniciais, somada…

Prevenção e recomendações

As medidas preventivas recomendadas pelas autoridades sanitárias incluem:

Uso consistente de preservativo em todas as relações sexuais;

Não compartilhamento de objetos perfurocortantes ou de uso pessoal, como agulhas, seringas, lâminas de barbear, alicates de unha e escovas de dente;

Realização do pré-natal completo para gestantes, com testagem e acompanhamento para prevenir a transmissão vertical;

Adesão ao esquema vacinal contra hepatite B, disponível para todas as faixas etárias nas unidades de saúde;

Higienização adequada de alimentos e consumo de água tratada para prevenção da hepatite A.

A SMS orienta que qualquer pessoa com histórico de exposição de risco, vida sexual ativa sem uso regular de preservativo, antecedente de transfusão de sangue antes de 1993, ou que compartilhe objetos perfurocortantes, procure uma unidade de saúde para realizar o teste, independentemente da presença de sintomas.

Implicações e perspectivas

A intensificação da campanha Julho Amarelo em Goiânia reflete a necessidade de manter vigilância ativa diante de uma doença de curso frequentemente silencioso e de elevado impacto clínico quando não tratada. A estratégia municipal de combinar oferta permanente nas unidades de saúde com ações itinerantes em locais de grande circulação busca romper barreiras de acesso e reduzir o número de casos subnotificados.

Com a disponibilização gratuita de testes, orientações e tratamento pelo SUS, a expectativa das autoridades sanitárias é ampliar o diagnóstico precoce, interromper cadeias de transmissão e avançar no cumprimento das metas nacionais e internacionais de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública. O sucesso da iniciativa dependerá, contudo, da adesão da população e da continuidade das políticas públicas de prevenção e cuidado integral.