A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), emitiu nesta quinta-feira (5) um alerta epidemiológico para reforçar medidas de prevenção contra a raiva após a confirmação do primeiro caso, na capital, de um morcego encontrado morto com o vírus da doença. A SMS orienta a população a evitar contato com animais silvestres em situação atípica e a manter a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia.
Segundo a pasta, a raiva pode ser transmitida ao ser humano por lambeduras ou mordidas de animais contaminados. Trata-se de uma infecção viral que compromete o sistema nervoso central, descrita clinicamente como encefalite aguda, e cuja evolução costuma ser fulminante quando os sintomas se instalam. A letalidade, de acordo com a SMS, é próxima de 100%.
Raiva no Setor Colônia Santa Marta motivou reforço de vigilância
O gerente de Controle de Animais Sinantrópicos da SMS, Daniel Graziani, informou que o morcego foi encontrado no Setor Colônia Santa Marta. De acordo com ele, o animal estava caído e morto, sem histórico de contato com humanos ou com animais domésticos. Ainda assim, a confirmação laboratorial do vírus em um animal silvestre levou o município a ampliar a comunicação de risco.
“O animal foi encontrado caído, morto e não tem histórico de contato com animal doméstico ou com humanos. Mesmo assim, com a circulação do vírus entre animais silvestres, reforçamos o alerta à população para que verifique se os pets estão com a vacinação antirrábica atualizada”, afirmou Graziani, segundo a SMS.
Em termos epidemiológicos, a detecção do vírus em morcegos é tratada como evento sentinela por autoridades sanitárias, pois esses animais podem atuar como reservatórios e, em determinadas circunstâncias, transmitir a infecção a outros mamíferos. A maior parte das interações de risco, conforme a orientação municipal, ocorre quando pessoas tentam recolher animais silvestres debilitados ou quando cães e gatos têm acesso…
Orientação é não tocar em animais silvestres no solo
A SMS recomenda que, ao encontrar morcegos ou macacos no chão, a população não tente se aproximar. A justificativa técnica é que morcegos não têm o hábito de permanecer no solo; quando isso ocorre, o animal pode estar debilitado, ferido ou doente, o que eleva a probabilidade de exposição. A orientação se estende a animais domésticos: cães e gatos não devem ter acesso ao animal silvestre encontrado, reduzindo a chance de contato por mordida ou manipulação.
Para situações em que um morcego ou macaco seja localizado morto, a secretaria orienta isolar o local e cobrir o animal com um balde ou uma caixa, como forma de impedir contato direto. Em seguida, a recomendação é acionar a Diretoria de Vigilância em Zoonoses pelos telefones (62) 3030-4056 ou (62) 3030-4121. A medida busca preservar a segurança de pessoas e animais e permitir que a equipe técnica faça o manejo e os encaminhamentos adequados.
Em caso de acidentes envolvendo animais domésticos, silvestres e, especialmente, morcegos, a SMS orienta procurar uma unidade de saúde o mais breve possível para avaliação da profilaxia indicada. Na prática, o atendimento define o risco de exposição e a necessidade de medidas como vacinação pós-exposição e, quando indicado, soro antirrábico, considerando tipo de contato, gravidade do ferimento e condição do animal envolvido.
Vacinação de cães e gatos é a principal barreira de proteção
Apesar de a SMS destacar que morcegos frugívoros não costumam atacar pessoas, a secretaria aponta que eles podem contaminar animais domésticos. Por isso, o município reforça a vacinação antirrábica como principal estratégia preventiva para cães e gatos, sobretudo em áreas com circulação de fauna silvestre. A imunização regular reduz a probabilidade de que o vírus se estabeleça em ciclos de…
“Os morcegos são animais frugívoros e não atacam o ser humano, mas podem contaminar animais domésticos. Por isso, a melhor forma de prevenção é a vacinação de cães e gatos”, afirmou Graziani, de acordo com a secretaria.
A Prefeitura de Goiânia informa que disponibiliza vacinação antirrábica gratuita em pontos fixos na capital, em geral das 8h às 17h, com unidades que funcionam em dias específicos. Entre os locais divulgados estão: Centro de Zoonoses (Rodovia GO-020, Km 08, Fazenda Vau das Pombas, de segunda a sexta); Distrito Sanitário Norte (Rua Carijós, 260-402, Setor Urias Magalhães, às quartas-feiras); Distrito…
Contexto nacional reforça gravidade da doença
No comunicado, a SMS ressalta que, em 2025, foram confirmados três casos de raiva humana no Brasil, todos com evolução para óbito. O dado é usado pela secretaria para sublinhar a importância da prevenção e da busca imediata por atendimento após exposição, uma vez que a profilaxia é mais efetiva quando iniciada rapidamente e antes do início dos sintomas.
Do ponto de vista de saúde pública, a emissão de alerta epidemiológico após a confirmação do vírus em morcego tem como finalidade reduzir comportamentos de risco, fortalecer a vigilância e aumentar a cobertura vacinal de animais domésticos, considerados barreira essencial para evitar que a infecção alcance pessoas. A SMS orienta que tutores verifiquem a situação vacinal de cães e gatos…
A raiva
A raiva é uma zoonose viral aguda, quase sempre fatal após o início dos sintomas, que acomete o sistema nervoso central de mamíferos — inclusive seres humanos. Por ser uma doença prevenível por vacinação e por profilaxia pós-exposição, a chave do controle está em evitar contato de risco e agir rapidamente quando ele ocorre.
O que causa e como a doença evolui
A raiva é causada por vírus do gênero Lyssavirus. Depois de entrar no organismo, geralmente pela pele lesionada, o vírus se multiplica localmente e migra pelos nervos periféricos até o cérebro. Esse trajeto explica por que o período de incubação pode variar bastante: em geral, semanas a meses, mas pode ser mais curto quando a mordida é extensa, profunda ou ocorre em áreas ricamente inervadas, como face e mãos.
Quando os sintomas começam, a doença costuma evoluir rapidamente para comprometimento neurológico grave e óbito. Por isso, a prevenção antes da fase sintomática é determinante.
Como ocorre a transmissão
A transmissão se dá principalmente pela saliva de um animal infectado, em especial por:
• Mordidas (principal via)
• Arranhões com contaminação por saliva
• Lambeduras em pele ferida ou mucosas (olhos, boca, nariz)
Contato com sangue, fezes ou urina, em regra, não é a via típica. Em situações raras e específicas, há relatos de transmissão por aerossóis em ambientes muito particulares (como cavernas com alta densidade de morcegos), mas isso não é o padrão em áreas urbanas.
Quais animais estão envolvidos
No Brasil, os principais reservatórios variam por ambiente:
• Ciclo urbano: historicamente, cães (e também gatos) quando não vacinados.
• Ciclo silvestre: morcegos, especialmente, além de outros mamíferos silvestres. Em algumas regiões, primatas podem aparecer como animais acometidos, mas não são “culpados”; são vítimas e, quando infectados, representam risco.
Um ponto importante: morcegos podem estar infectados mesmo sem sinais evidentes. E quando são encontrados no chão, vivos ou mortos, isso pode indicar debilidade, aumentando o risco de alguém tentar manipulá-los.
Sinais e sintomas em humanos
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos: febre, mal-estar e dor de cabeça. Um achado sugestivo é dor, formigamento ou coceira no local da mordida (mesmo depois de o ferimento aparentar estar cicatrizado). A partir daí, podem ocorrer duas apresentações:
• Raiva “furiosa”: agitação, ansiedade, espasmos, dificuldade para engolir, hipersalivação e a clássica hidrofobia (espasmos ao tentar ingerir água).
• Raiva paralítica: fraqueza progressiva e paralisia, que pode se confundir com outras doenças neurológicas.
Em ambas, a evolução costuma ser rápida, com necessidade de terapia intensiva e prognóstico muito reservado.
Sinais em animais (visão prática)
Em cães e gatos, sinais possíveis incluem mudança súbita de comportamento, agressividade incomum ou apatia, salivação excessiva, dificuldade de engolir, alterações de coordenação e paralisia. Em morcegos, sinais indiretos incluem estar ativo durante o dia, ter voo desorientado ou ser encontrado no chão. Ainda assim, não é possível confirmar raiva “no olho”: o diagnóstico depende de exame laboratorial.
O que fazer após mordida, arranhão ou contato suspeito
Do ponto de vista de saúde pública, a conduta correta combina primeiros cuidados e avaliação médica imediata:
1) Lavar o local imediatamente com água corrente e sabão por vários minutos. Esse passo simples reduz a carga viral.
2) Procurar atendimento o quanto antes para avaliar necessidade de vacina e, em alguns casos, soro antirrábico.
3) Não manipular o animal e acionar a vigilância/zoonoses quando envolver silvestres (como morcegos e primatas) ou quando o animal for desconhecido.
A profilaxia pós-exposição é altamente eficaz quando iniciada rapidamente e feita de forma adequada ao tipo de exposição.
Prevenção: o que realmente reduz risco
• Vacinação anual de cães e gatos (conforme calendário local e orientação veterinária/serviço público).
• Evitar contato com animais silvestres, sobretudo morcegos e primatas encontrados no chão, debilitados ou mortos.
• Supervisionar pets para impedir que capturem morcegos ou outros animais.
• Educação e vigilância: notificação de achados de animais suspeitos e manutenção de campanhas de imunização.
Em termos práticos, a raiva é uma doença em que “atrasar a decisão” é o maior inimigo: como o tratamento após sintomas é muito limitado, todo o foco recai sobre prevenção e sobre a profilaxia após exposição.