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Detran-GO: CNH em Goiás passa a custar em média R$450,00

Detran

O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) iniciou a aplicação de novas regras que modernizam e simplificam o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em conformidade com a Resolução 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). As alterações, que passaram a vigorar a partir de terça‑feira (27/01), eliminam exercícios tradicionais e reestruturam a prova prática, com objetivo declarado de reduzir custos e ampliar o acesso à habilitação.

Alterações na prova prática

Na nova configuração, a prova prática de direção veicular passa a ser realizada em etapa única, composta exclusivamente pelo trajeto em condições reais de trânsito. Para a categoria A (motocicleta) foi suprimido o exercício de rampa; para as categorias B, C, D e E (veículos de quatro ou mais rodas) deixaram de ser exigidos os exercícios de aclive e de baliza. Segundo o Detran‑GO, o enfoque recai agora em manobras e comportamentos que refletem a circulação cotidiana, como passagem por rotatórias, utilização de setas, respeito a limites de velocidade e atenção a distrações.

“Estamos modernizando o processo, focando no que realmente importa: avaliar se o candidato tem condições de conduzir o veículo com segurança no trânsito real. Além disso, reduzimos custos e barreiras que afastavam milhares de pessoas da habilitação formal”, afirmou o presidente do Detran‑GO, Delegado Waldir.

Flexibilização das aulas e redução de custos

A resolução faculta que as aulas obrigatórias sejam ministradas em Centros de Formação de Condutores (CFC) ou por instrutores autônomos, e que as práticas ocorram em veículos de autoescolas ou particulares, tanto manuais quanto automáticos. O novo parâmetro estabelece apenas duas horas de aulas práticas para as categorias A e B e dez horas para as categorias C, D e E.

Com a oferta do curso teórico gratuito pela plataforma CNH do Brasil e a redução do quantitativo de aulas obrigatórias, o Detran‑GO estima queda significativa no custo médio do processo. Antes das mudanças, o custo médio em Goiás chegava a aproximadamente R$ 3.000 por categoria; com as novas regras, o valor apontado pelo órgão é de R$ 442,90.

Alcance operacional e políticas complementares

O Detran‑GO informa que realiza cerca de 30 mil provas práticas por mês, distribuídas em mais de 100 municípios. Outra medida em vigor no estado é a oferta do primeiro reteste gratuito para candidatos que realizarem a prova prática a partir de 9 de dezembro de 2025 — data da publicação da Resolução 1.020/2025 —, medida estimada para beneficiar cerca de 40 mil pessoas por ano.

Entre as demais mudanças já implementadas constam: não vencimento dos processos de CNH, aproveitamento de processos iniciados no aplicativo CNH do Brasil, abertura do Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach), implantação de um Banco de Questões Teóricas e alteração do número mínimo de acertos na prova de Legislação de Trânsito para 20 questões corretas. Novos valores foram fixados para os exames de aptidão física e mental (R$ 84,00) e para a avaliação psicológica (R$ 96,00).

Dados sobre informalidade e justificativa para a reforma

A autarquia justifica as alterações como instrumentos de inclusão social e de estímulo à regularização de condutores. Os registros de flagrantes de condução sem CNH em Goiás mantêm‑se elevados: 37.647 em 2023, 42.799 em 2024 e 43.119 em 2025. Para o Detran‑GO, a simplificação e a redução de custos têm potencial para reduzir essa informalidade e, consequentemente, mitigar riscos associados à atuação de condutores não habilitados.

“A informalidade na condução de veículos é um risco para todos. Facilitar o acesso à CNH é uma estratégia concreta de proteção à vida no trânsito”, reiterou o presidente do Detran‑GO.

O argumento oficial ressalta que exercícios como rampa e baliza não estariam diretamente correlacionados com as principais causas de sinistros com potencial de morte, razão pela qual foram substituídos por avaliações que reproduzam situações de maior recorrência no tráfego urbano e rodoviário.

Implicações e desdobramentos

As mudanças representam uma alteração significativa no modelo de formação e avaliação de condutores, com impactos financeiros e operacionais imediatos. A redução de custos pode ampliar a demanda por processos de habilitação, ao mesmo tempo em que exige adaptação de CFCs, instrutores autônomos e examinadores a novos parâmetros de avaliação.

Do ponto de vista institucional, a adoção das medidas em Goiás integra‑se ao programa federal CNH do Brasil, que busca modernizar procedimentos e descentralizar serviços. O Detran‑GO destaca também a adoção de mecanismos de inclusão, como o reteste gratuito e ajustes em avaliações para candidatos com transtornos de desenvolvimento (TDH e TEA), os quais terão tempo dobrado na prova de legislação quando aplicável.

Em síntese, o Detran‑GO apresenta as novas regras como um esforço de simplificação administrativa e de promoção da inclusão social, sustentado por parâmetros que, segundo o órgão, priorizam a avaliação do desempenho em situações reais de condução. A efetividade das mudanças em termos de segurança viária e de redução da informalidade dependerá da implementação prática dos novos critérios, do acompanhamento estatístico dos resultados e de eventuais ajustes regulatórios subsequentes.

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