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Plantio de grama esmeralda reforça corredores verdes em Goiânia

Redação Redação · · 9 min de leitura
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grama

A Prefeitura de Goiânia concluiu, em fevereiro, a implantação de 7.090 metros quadrados de grama esmeralda em canteiros centrais de importantes avenidas da capital, consolidando um novo corredor verde em áreas de intenso fluxo de veículos. A iniciativa, executada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), combina recuperação paisagística com medidas de mitigação de ilhas de calor e aumento da permeabilidade do solo, em linha com diretrizes de adaptação climática em centros urbanos.

O trabalho concentrou-se nas avenidas Hilário Sebastião de Figueiredo, Alameda dos Buritis e Avenida D, em regiões que reúnem tráfego elevado, adensamento construtivo e grande presença de pavimentação asfáltica. Além da instalação do gramado, as equipes promoveram preparo completo do terreno, com remoção de resíduos, correção de desníveis e plantio adicional de espécies arbóreas, com o objetivo de favorecer a infiltração de água de chuva e qualificar o microclima local.

Distribuição do plantio nas principais avenidas

O maior volume da intervenção concentrou-se na Avenida Hilário Sebastião de Figueiredo, no setor Santo Hilário, em trecho compreendido entre a Avenida Abel Rodrigues Chaveiro e a rotatória da Rua Moisés Perotto. Nessa área foram implantados 4.200 metros quadrados de grama esmeralda, formando uma faixa contínua de vegetação nos canteiros centrais, antes marcados pela presença de ervas daninhas e resíduos de obras.

Na Alameda dos Buritis, eixo importante do setor Oeste, o plantio alcançou 1.660 metros quadrados de gramado, entre a Avenida Anhanguera e a Avenida Dona Gercina Borges Teixeira. Trata-se de um trecho de relevância estratégica para a circulação viária e para a conexão com áreas de serviços, comércio e órgãos públicos, onde a qualificação paisagística pode contribuir para melhorar a ambiência urbana e a experiência de deslocamento de pedestres e motoristas.

Já na Avenida D, também no setor Oeste, entre as avenidas 85 e Mutirão, foram implantados 1.230 metros quadrados de grama esmeralda, acompanhados do plantio de espécies arbóreas ao longo do canteiro central. Esse arranjo, que combina cobertura rasteira e vegetação de médio e grande porte, é considerado mais eficiente para o sombreamento, a retenção de umidade do solo e a redução da temperatura superficial, especialmente em regiões com grande impermeabilização.

Com a conclusão dessas três frentes, a capital acrescenta mais de sete mil metros quadrados de áreas verdes contínuas em espaços viários, reforçando a função dos canteiros centrais como infraestruturas ambientais e não apenas elementos de separação de pistas. Em um contexto de urbanização consolidada, intervenções desse tipo tendem a ter impacto relevante na recomposição de serviços ecossistêmicos, ainda que em recortes relativamente estreitos do tecido urbano.

Preparação do solo e técnicas de ajardinamento

Antes do assentamento da grama, as equipes da Comurg realizaram uma etapa de preparação minuciosa dos canteiros, com foco na remoção de materiais que comprometem o desenvolvimento da vegetação. O procedimento incluiu a retirada de ervas daninhas, que concorrem por nutrientes e água, e a limpeza de resíduos de cimento que se acumularam ao longo do tempo, usualmente oriundos de obras civis e reparos viários.

Após a limpeza, foi feito o nivelamento do terreno, etapa considerada essencial para garantir a uniformidade do canteiro, a estabilidade do gramado e a correta drenagem superficial da água de chuva. Um solo desnivelado pode provocar empoçamentos, erosão localizada e falhas no enraizamento, reduzindo a durabilidade do revestimento vegetal.

O coordenador da equipe de ajardinamento da Comurg, Kerley Lanuce Pereira, destacou que o conjunto de ações não tem apenas caráter estético, mas está diretamente ligado à saúde do solo e à capacidade de a vegetação se desenvolver de forma contínua e resistente.

“Com essas intervenções, Goiânia avança na recuperação dos espaços públicos, reduz as ilhas de calor e aumenta a permeabilidade das vias em pontos de grandes fluxos”, afirmou.

Segundo o coordenador, a revolvimento e a correção do terreno favorecem a oxigenação da terra, condição necessária para o crescimento radicular e para a manutenção de micro-organismos benéficos. Aliado à escolha de uma espécie adaptada ao clima local, o processo procura reduzir a necessidade de reposições frequentes de placas de grama, o que impacta diretamente em custos de manutenção e no uso de recursos públicos.

Função ambiental da grama esmeralda em áreas urbanas

A opção pela grama esmeralda, espécie amplamente utilizada em projetos de paisagismo de vias urbanas, está associada a características como resistência ao pisoteio moderado, boa adaptação a altas temperaturas e capacidade de formar tapetes densos. Em cidades com verão prolongado e índices elevados de radiação solar, a espécie contribui para a diminuição da temperatura na superfície dos canteiros, em contraste com o asfalto e o concreto, que acumulam calor ao longo do dia.

Do ponto de vista ambiental, a implantação de gramados em canteiros centrais aumenta a permeabilidade do solo em corredores viários, ampliando a infiltração de água de chuva e reduzindo o escoamento superficial. Em contextos de fortes precipitações, solos mais permeáveis podem auxiliar na mitigação de pontos de alagamento, ao permitir que parte da água seja absorvida e armazenada na camada subsuperficial, alimentando o lençol freático e reduzindo a sobrecarga de galerias de drenagem.

A vegetação também desempenha papel relevante na filtragem de partículas em suspensão e na melhoria da qualidade do ar em eixos de tráfego pesado. Ainda que gramados tenham menor capacidade de sequestro de carbono e de sombreamento do que árvores de grande porte, o efeito combinado de áreas verdes lineares com arborização complementar, como no caso da Avenida D, potencializa o desempenho ambiental dos corredores urbanos.

Em termos de biodiversidade, faixas contínuas de gramado servem como pequenos corredores ecológicos para insetos e outras espécies de fauna de pequeno porte, favorecendo certa conectividade entre praças, parques e outros fragmentos verdes. Embora seja um efeito limitado quando comparado a áreas naturais mais extensas, a presença de vegetação em espaços viários contribui para manter processos ecológicos básicos no interior da malha urbana.

Urbanização, ilhas de calor e políticas de adaptação climática

A ampliação de áreas verdes viárias em Goiânia se insere em um contexto mais amplo de preocupação com as ilhas de calor urbanas, fenômeno associado à substituição de cobertura vegetal por superfícies impermeáveis e de alta capacidade de absorção térmica. Esse processo tende a elevar a temperatura média em regiões densamente construídas, com impactos sobre conforto térmico, consumo de energia elétrica para climatização e saúde pública, especialmente nos períodos de estiagem.

Experiências em diversas capitais brasileiras indicam que medidas como plantio de árvores de sombra, implantação de gramados, jardins de chuva e pavimentos drenantes têm sido incorporadas a programas de requalificação urbana e de infraestrutura verde. Em Goiânia, a criação de corredores verdes em avenidas estruturantes pode atuar como instrumento complementar a outras ações, como parques lineares e recuperação de áreas de preservação permanente, compondo uma rede de mitigação climática distribuída pelo território.

A adoção de gramados em canteiros centrais também dialoga com estratégias de segurança viária e ordenamento de fluxos. Canteiros bem mantidos, com vegetação uniforme, tendem a reduzir a ocorrência de usos indevidos, como estacionamento irregular, além de proporcionar maior legibilidade ao traçado das pistas. Em vias onde o fluxo é intenso, esse tipo de ordenação visual contribui para a organização do espaço e pode, indiretamente, influenciar comportamentos de condução mais previsíveis.

Do ponto de vista da gestão pública, a consolidação de uma malha de áreas verdes exige planejamento de manutenção continuada, com cronogramas de irrigação, poda, adubação e controle de pragas. A sustentabilidade das iniciativas depende, portanto, não apenas do plantio inicial, mas da capacidade de manter o padrão de cuidado ao longo do tempo, evitando a degradação precoce dos canteiros e a consequente necessidade de reinvestimentos frequentes.

Perspectivas para a qualificação dos espaços públicos

A intervenção recente da Comurg nas avenidas Hilário Sebastião de Figueiredo, Alameda dos Buritis e Avenida D reforça uma tendência de valorização de espaços viários como componentes ativos da infraestrutura ambiental e não apenas como elementos de circulação de veículos. Ao combinar gramados e espécies arbóreas, o poder público busca equilibrar demandas de mobilidade, conforto térmico, gestão de águas pluviais e qualidade paisagística em áreas de grande exposição e visibilidade.

A continuidade de ações semelhantes em outros eixos da cidade pode ampliar o impacto positivo sobre o microclima urbano, especialmente em zonas com menor cobertura vegetal e maior densidade de edificações. A replicação de padrões de ajardinamento, com base em critérios técnicos de espécie vegetal, manejo do solo e integração com o sistema de drenagem, tende a conferir maior coerência às intervenções e a estabelecer uma identidade visual associada à infraestrutura verde de Goiânia.

Embora a implantação de 7.090 metros quadrados de grama esmeralda represente uma intervenção localizada em termos da extensão total da cidade, o projeto funciona como indicador de diretrizes gerais de urbanismo e meio ambiente adotadas pela administração municipal. Em um cenário de mudanças climáticas e crescimento urbano contínuo, iniciativas desse tipo sinalizam a incorporação gradual de princípios de resiliência e sustentabilidade no planejamento dos espaços públicos.

Nesse contexto, os canteiros centrais deixam de ser espaços residuais para se transformar em dispositivos de regulação ambiental e requalificação paisagística. O desempenho efetivo dessas áreas, no entanto, dependerá da integração com outras políticas de arborização, drenagem urbana, mobilidade sustentável e uso do solo, de modo a consolidar uma rede de infraestrutura verde capaz de responder às demandas presentes e futuras de Goiânia.

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