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Goiânia distribui 25 toneladas de alimentos

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A Prefeitura de Goiânia, distribuiu 25 toneladas de alimentos provenientes de suas hortas comunitárias nos últimos dez meses. A produção, originária de 15 unidades espalhadas pelo município, tem destino social exclusivo, sendo canalizada para o Banco de Alimentos Municipal, instituições filantrópicas, públicas e educacionais. O programa, contudo, evoluiu para uma estratégia mais ampla que combina assistência alimentar com a promoção de autonomia econômica, focando na capacitação de pequenos produtores e no incentivo à criação de negócios e cooperativas na agricultura familiar.

Da doação à geração de renda: a evolução do modelo

As hortas comunitárias de Goiânia mantêm cronogramas regulares de plantio e colheita, assegurando um fluxo contínuo de doações. No entanto, a gestão atual da Sedicas, sob o comando do secretário Adonídio Neto, ampliou o escopo da iniciativa. O foco deixou de ser estritamente assistencialista para incorporar um componente de desenvolvimento econômico local. A meta é transformar o potencial produtivo identificado nas comunidades em mecanismos sustentáveis de geração de emprego e renda, reduzindo a dependência de doações a longo prazo e fortalecendo a economia dos bairros.

“Durante as capacitações técnicas realizadas, foram identificados participantes com potencial e vocação para a horticultura, motivo pelo qual foi desenvolvido o programa Renda Verde, com o objetivo de transformar esse potencial em geração de emprego e renda”, afirmou Adonídio Neto, titular da Sedicas.

Essa transição reflete uma tendência observada em políticas públicas urbanas que buscam integrar segurança alimentar e desenvolvimento econômico. O modelo vai além da simples provisão de alimentos, atuando na base da cadeia produtiva ao qualificar mão de obra e fornecer insumos para que os beneficiários se tornem produtores autônomos.

Capacitação, crédito e assistência técnica: o tripé do Renda Verde

O programa Renda Verde, citado pelo secretário, estrutura-se em três pilares principais: capacitação, acesso a crédito inicial e assistência técnica gratuita. A Sedicas estabeleceu parcerias com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater Goiás) e a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB Goiás) para executar as ações.

A capacitação técnica identifica e aprimora as habilidades dos participantes para a horticultura comercial. Paralelamente, é disponibilizada uma linha de crédito no valor de R$ 5 mil para o início das atividades produtivas, um capital semente destinado à aquisição de equipamentos básicos, sementes e outros insumos necessários. O terceiro componente, a assistência técnica permanente e gratuita, visa garantir que os novos empreendimentos tenham suporte agronômico e gerencial, aumentando as chances de sucesso e sustentabilidade.

Fortalecimento cooperativista e insumos para produtores

Um dos desdobramentos mais significativos do programa é o incentivo à criação da primeira cooperativa de agricultura familiar do município de Goiânia. O modelo cooperativista, amplamente defendido por entidades como a OCB, oferece vantagens competitivas aos pequenos produtores, permitindo a escala na comercialização, a redução de custos com a compra coletiva de insumos e um maior poder de negociação no mercado. A formação da cooperativa representa um passo estratégico para consolidar o setor e ampliar as oportunidades para os produtores locais, que poderão acessar canais de venda mais diversificados.

Além do crédito e da capacitação, os produtores da capital também são beneficiados pelo programa Semear Social, da Emater Goiás. A iniciativa fornece kits para recuperação de pastagens, compostos por sementes de milho e capim, ureia e condicionador de solo, com cobertura de até um hectare por produtor. Esse suporte é crucial para a diversificação e para a melhoria da qualidade do solo, beneficiando não apenas a horticultura, mas também a pecuária de pequena escala, integrando diferentes atividades no âmbito da propriedade rural familiar.

Contexto e impactos da agricultura urbana

A experiência de Goiânia insere-se em um contexto nacional de valorização da agricultura urbana e periurbana como instrumento de segurança alimentar, inclusão social e sustentabilidade. Hortas comunitárias têm se multiplicado em grandes cidades, funcionando como espaços de educação ambiental, convívio social e fonte de alimentos frescos e saudáveis. A inovação trazida pelo modelo goianiense está na conexão direta e proposital entre essa produção e a criação de circuitos econômicos locais, formalizando uma passagem da condição de beneficiário para a de microempreendedor.

Do ponto de vista econômico, o investimento em capacitação e crédito inicial pode ter um efeito multiplicador significativo. Os R$ 5 mil disponibilizados, se bem aplicados em dezenas de unidades produtivas, podem gerar um retorno em termos de produção, comercialização e arrecadação de impostos locais que supera o valor do investimento público inicial. Socialmente, a iniciativa promove a autoestima e a autonomia das famílias envolvidas, fatores críticos para a superação da vulnerabilidade socioeconômica.

A estratégia da Sedicas em Goiânia demonstra uma maturação no conceito de hortas comunitárias. Ao vincular a produção de alimentos a um programa estruturado de capacitação, crédito e cooperativismo, a prefeitura avança em um modelo que busca resolver uma necessidade imediata – a doação de alimentos – enquanto constrói as bases para uma solução de longo prazo: a geração de renda autônoma. O sucesso da iniciativa dependerá da continuidade das políticas, da eficácia da assistência técnica e da capacidade de articulação dos produtores no mercado, mas o caminho traçado aponta para uma integração virtuosa entre assistência social e desenvolvimento econômico local.

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