A Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o Governo de Goiás lançaram nesta quarta-feira (29) a Operação Cerrado Vivo – Serra da Areia, com foco na prevenção e no combate aos incêndios florestais durante o período de estiagem. A iniciativa concentra esforços na Área de Proteção Ambiental (APA) Serra da Areia, em uma articulação que envolve prefeitura, Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, Defesa Civil e órgãos ambientais estaduais e municipais.
O lançamento ocorreu no 7º Batalhão de Bombeiro Militar e reuniu o prefeito Leandro Vilela, o comandante-geral do CBMGO, coronel Washington Luiz Vaz Júnior, e as secretárias Andréa Vulcanis, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, e Pollyana Borges, de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Aparecida. Também foi apresentado o Plano de Contingência (Plancon) Serra da Areia, documento que organiza a atuação conjunta dos municípios de Aparecida de Goiânia, Aragoiânia e Hidrolândia em cenários de emergência relacionados ao fogo.
Integração regional para resposta mais rápida
O novo plano amplia a coordenação entre os entes públicos que atuam na região da Serra da Areia, área ambientalmente sensível e considerada estratégica para a preservação da biodiversidade local. Na prática, o documento estabelece procedimentos padronizados para prevenção, resposta e recuperação de áreas atingidas, reduzindo sobreposições de ação e acelerando a mobilização de equipes em caso de ocorrência.
A articulação regional ganhou peso adicional neste ano porque a área protegida se estende por mais de um município, o que exige comunicação direta entre secretarias, brigadas e forças de segurança. Em períodos de estiagem, a velocidade de resposta costuma ser determinante para limitar a propagação das chamas, especialmente em áreas de vegetação contínua e de difícil acesso.

Durante a solenidade, Leandro Vilela afirmou que a proteção da Serra da Areia tem sido tratada como prioridade da gestão municipal e que a parceria com o governo estadual fortalece a capacidade operacional do município. A leitura política do evento também reforça a estratégia de integração entre Aparecida e o Estado em pautas ambientais, num momento em que a prevenção a incêndios se torna uma demanda recorrente no calendário do cerrado.
Estiagem mais severa e risco elevado de queimadas
O comando do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás alertou que o estado pode enfrentar uma estiagem mais intensa neste ano, cenário que aumenta a vulnerabilidade do bioma e pressiona as equipes de resposta. Segundo o coronel Washington Luiz Vaz Júnior, mais de 90% dos incêndios têm origem na ação humana, o que desloca parte central da estratégia para a conscientização e para a fiscalização de práticas de risco.
Esse diagnóstico é consistente com o padrão observado em grande parte do Centro-Oeste, onde queimadas provocadas por manejo inadequado do fogo, descarte irregular de resíduos ou ação criminosa agravam a perda de cobertura vegetal em meses de baixa umidade. Em áreas urbanas e periurbanas, o problema ganha também dimensão sanitária, porque a fumaça compromete a qualidade do ar e amplia o risco respiratório para a população.
Andréa Vulcanis destacou que o Estado já iniciou a temporada de prevenção e que brigadas vêm sendo treinadas para ampliar a prontidão operacional. A secretária também fez um apelo para que a população evite qualquer uso de fogo neste momento, argumento sustentado pela necessidade de proteger o cerrado e reduzir impactos sobre a saúde pública e sobre a estabilidade ambiental da região metropolitana.
Capacitação e estrutura ampliam a resposta
Além do lançamento da operação, o evento certificou brigadistas e agentes ambientais formados no 12º Curso de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (CPCIF) e no 9º Curso de Proteção Ambiental (CPAR), promovidos pelo Corpo de Bombeiros. A formação dessas equipes é um dos pilares da estratégia de contenção, porque amplia a presença de profissionais treinados para monitoramento, combate inicial e apoio a operações de maior porte.
Pollyana Borges afirmou que Aparecida vem fortalecendo as ações preventivas desde o início da atual gestão, com investimento em equipamentos, capacitação e na elaboração de um plano municipal de contingência. Segundo ela, a principal novidade da operação deste ano é a incorporação de Hidrolândia e Aragoiânia ao planejamento integrado, o que tende a melhorar a coordenação em uma área de fronteira administrativa, mas de continuidade ambiental.
A secretária informou ainda que a prefeitura forneceu equipamentos de proteção, assopradores e treinamento para chacareiros da região, com o objetivo de permitir o primeiro combate aos focos de incêndio e evitar que ocorrências pequenas evoluam para grandes frentes de fogo. Esse tipo de apoio comunitário costuma ser decisivo em áreas rurais e de transição urbana, onde a resposta inicial pode ocorrer antes da chegada das equipes especializadas.
Serra da Areia e a lógica da prevenção
A Serra da Areia ocupa posição relevante na agenda ambiental de Aparecida de Goiânia por reunir atributos de preservação, uso social e pressão antrópica. Em regiões como essa, a ocorrência de incêndios não se limita à destruição da vegetação: há efeitos sobre fauna, solo, nascentes e disponibilidade de serviços ecossistêmicos, como regulação térmica e conservação hídrica.
A operação lançada nesta quarta-feira se insere em uma política mais ampla de preparação para o período seco, quando a combinação de baixa umidade, ventos e material vegetal acumulado aumenta a probabilidade de propagação do fogo. Por isso, a atuação conjunta entre município e Estado tende a ser mais efetiva quando combina vigilância, resposta rápida, formação de brigadas e comunicação pública.
No plano institucional, a iniciativa também evidencia a tentativa de transformar um problema recorrente em política permanente de prevenção. Ao envolver três municípios, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e as secretarias ambientais, a Operação Cerrado Vivo – Serra da Areia busca reduzir a dependência de ações emergenciais e consolidar um modelo de governança ambiental mais articulado.
Ao final do evento, a certificação dos brigadistas reforçou a dimensão operacional do esforço anunciado. Em uma estação marcada pelo avanço da seca e pelo histórico de queimadas no cerrado, a eficácia da operação dependerá da capacidade de manter vigilância contínua, resposta integrada e adesão da população às medidas de prevenção. O resultado esperado é a preservação de uma das áreas ambientais mais relevantes do município e a redução dos impactos dos incêndios sobre o território e sobre a saúde coletiva.