O avanço de uma massa de ar polar no centro-sul de Goiás deve manter as temperaturas mínimas em queda até quarta-feira (13/08), com previsão de geadas fracas a moderadas em municípios das regiões sudoeste e sul, como Jataí, Mineiros e Chapadão do Céu, onde as mínimas podem variar entre 6°C e 7°C. Apesar do frio nas madrugadas e manhãs, o sol predomina durante o dia, provocando forte amplitude térmica, com temperaturas que podem subir rapidamente. Em outras regiões do estado, como no Sudeste em Catalão, as temperaturas variam de 10°C a 27°C, enquanto no Norte, em Porangatu, os termômetros oscilam entre 19°C e 36°C. Em Goiânia, a variação prevista é de 12°C a 29°C.
O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, alerta para a persistência do tempo seco, que já acumula até 98 dias sem chuva significativa em algumas regiões, especialmente no leste e sul do estado. A umidade relativa do ar deve ficar entre 12% e 20% durante as tardes, níveis considerados críticos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aumentando o risco de problemas respiratórios, sobretudo para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Diante disso, recomenda-se evitar atividades físicas intensas no período seco, manter hidratação frequente e utilizar umidificadores ou toalhas molhadas em ambientes fechados.
De olha na temperatura e no calor
O alerta máximo para risco de incêndios está vigente em todas as regiões de Goiás, abrangendo desde áreas de Cerrado no interior até parques próximos a centros urbanos, com destaque para unidades de conservação vulneráveis como o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, o Parque Estadual dos Pirineus e a APA Pouso Alto. A estiagem prolongada já impacta os mananciais do estado: o Rio Araguaia, em Nova Crixás, atingiu o nível mínimo histórico para agosto, enquanto o Rio Meia Ponte, nas regiões de Goiânia e Itumbiara, apresenta níveis abaixo da mediana e próximos ao limite inferior da zona de normalidade, indicando situação de escassez que compromete abastecimento, irrigação e a fauna aquática. O Rio Vermelho, na cidade de Goiás, e o Rio Paranã, no Vale do Paranã, também estão em níveis críticos.
Diante desse cenário, o gerente do Cimehgo reforça a necessidade de atenção redobrada, recomendando proteção contra as baixas temperaturas, a proibição de queimadas e o consumo racional de água para preservar os mananciais e minimizar os impactos da seca prolongada no estado.
Queimadas em Goiás Aumentam Drasticamente em 2024
Goiás enfrenta um cenário alarmante de queimadas em 2024, com um aumento significativo no número de focos de incêndio em comparação com anos anteriores. A combinação de um período de estiagem severo, altas temperaturas e baixa umidade do ar criou condições ideais para a propagação do fogo, resultando em graves consequências para o meio ambiente, a saúde pública e a economia do estado.
Aumento Exponencial dos Focos de Incêndio
Dados de diversas fontes, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), confirmam a gravidade da situação:
- Aumento de 70%: Nos primeiros cinco meses de 2024, as ocorrências de incêndios florestais cresceram cerca de 70% em relação ao mesmo período de 2023.
- Recorde de Ocorrências: Até setembro de 2024, o CBMGO atendeu 14.669 ocorrências de incêndios, superando o total de 12.450 atendimentos de todo o ano de 2023.
Dobro de Focos: O número de focos de queimadas detectados em Goiás mais do que dobrou, passando de 3.160 em 2023 para 6.362 em 2024.
- Cerrado em Chamas: Em todo o bioma Cerrado, os focos de incêndio até meados de setembro de 2024 já superavam os registros de todo o ano anterior.
Causas e Consequências
A principal causa para a intensificação das queimadas é a ação humana, seja por negligência ou atos criminosos. Até setembro, 183 pessoas foram presas em Goiás por provocar incêndios intencionalmente. O período de estiagem prolongado, que em algumas regiões já ultrapassa 150 dias, agrava a situação, tornando a vegetação seca um combustível altamente inflamável.
As consequências são vastas:
- Impacto Ambiental: Quase 449 mil hectares foram consumidos pelo fogo em Goiás até o final de 2024. Áreas de conservação importantes, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o Parque Nacional das Emas, foram severamente atingidas.
- Prejuízos Econômicos: Estima-se que as queimadas causaram um prejuízo de R$ 1,5 bilhão à economia goiana em 2024. A maior parte dos incêndios (51,7%) ocorreu em áreas de produção agropecuária.
- Saúde Pública: O aumento da fumaça provocou um crescimento no número de internações por doenças respiratórias.
Ações de Combate e Prevenção
Em resposta à crise, o Governo de Goiás decretou situação de emergência ambiental em julho de 2024, proibindo o uso de fogo em áreas de vegetação. A principal frente de combate é a Operação Cerrado Vivo, coordenada pelo Corpo de Bombeiros, que intensificou as ações de prevenção e combate.
As estratégias incluem:
- Ações Preventivas: Desde janeiro, a operação realiza palestras em escolas e orientações a sindicatos rurais para conscientizar a população.
- Tecnologia: O uso de drones para monitoramento em tempo real e o aplicativo “Monitor de Queimadas” para denúncias da população têm sido ferramentas importantes.
- Manejo Integrado do Fogo (MIF): Adoção de práticas preventivas em unidades de conservação para evitar a propagação descontrolada das chamas.
Cooperação Interinstitucional: A operação atua em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente (Semad), Defesa Civil, Polícia Militar e órgãos federais como o ICMBio e o Ibama.
Comentários
Participe da conversa! Lembre-se de ser respeitoso e seguir nossas regras.
Aviso Legal: Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste portal. Nos reservamos o direito de excluir comentários que violem nossas regras. Internet NÃO é terra sem lei! Comentários ofensivos podem ser punidos conforme legislação vigente.
Faça login para comentar!
Para participar da conversa e compartilhar sua opinião, você precisa estar logado em sua conta.
Apenas usuários cadastrados podem comentar. Isso mantém nossa comunidade segura e respeitosa.