A dengue ganhou uma nova frente de prevenção em Anápolis, onde cerca de 4 mil dispositivos verdes foram instalados em árvores, calçadas e fachadas de estabelecimentos. A iniciativa é conduzida pela Prefeitura em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os recipientes integram o Método Wolbachia e não devem ser retirados, abertos ou deslocados pela população.
Os equipamentos, chamados de Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), contêm ovos do mosquito Aedes aegypti, água, alimento para as larvas e a bactéria Wolbachia. O microrganismo ocorre naturalmente em diversas espécies de insetos e reduz a capacidade do mosquito de transmitir dengue, zika e chikungunya. A estratégia busca ampliar gradualmente a presença de mosquitos com menor potencial de transmissão na cidade, sem modificar geneticamente os animais.
Como o método da dengue foi instalado em Anápolis
A instalação dos dispositivos ocorreu em áreas públicas de Anápolis, sempre em pontos protegidos da exposição direta ao sol e à chuva. Os recipientes foram fixados em árvores, fachadas comerciais e calçadas, locais escolhidos para permitir a liberação dos mosquitos e facilitar o acompanhamento pelas equipes responsáveis. O planejamento alcançou 42 bairros durante as primeiras duas semanas de execução da iniciativa.
Os DLOs permitem que os ovos do Aedes aegypti se desenvolvam em aproximadamente 15 dias. Nesse período, o recipiente oferece condições para que as larvas completem seu ciclo inicial. Depois, os mosquitos deixam os baldes e passam a se reproduzir com exemplares já existentes na cidade, transmitindo a Wolbachia às gerações seguintes.
Durante uma vistoria realizada na segunda semana, as equipes verificaram 1.670 pontos de instalação. A fiscalização identificou a perda de 212 dispositivos, que foram encontrados em lixeiras, quebrados, abandonados em calçadas ou deixados em lotes baldios. As ocorrências foram registradas principalmente na região Central e nos bairros Copacabana, Boa Vista, Vila Norte e Vila Góis.
Contexto e antecedentes da estratégia contra a dengue
O Método Wolbachia utiliza uma bactéria natural para dificultar a multiplicação dos vírus no organismo do Aedes aegypti. Quando o mosquito portador se reproduz, a bactéria pode ser transmitida aos descendentes. Com a continuidade das liberações e da reprodução no ambiente, a expectativa é aumentar a proporção de insetos menos capazes de espalhar doenças entre a população.
A proposta não elimina imediatamente os mosquitos existentes nem substitui as medidas tradicionais de controle. O funcionamento depende da continuidade do processo biológico e do acompanhamento dos pontos instalados. Por isso, a estratégia é apresentada como uma ferramenta complementar às ações de combate aos criadouros, à fiscalização de imóveis e às orientações de prevenção mantidas pelos serviços públicos.
Resultados divulgados sobre o método em outras localidades indicam reduções nos casos de dengue após a implantação da iniciativa. Os percentuais informados foram de 89% em Niterói, no Rio de Janeiro, 63% em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, 77% na Indonésia e 96% na Austrália. Esses números são associados aos locais avaliados e não representam uma previsão automática para Anápolis.
Impactos e o que muda na prática para a dengue
Para os moradores, a principal mudança é a presença de pequenos recipientes verdes em locais de circulação pública. A orientação é não mexer nos baldes, mesmo quando parecerem vazios, danificados ou fora do lugar. A abertura, a retirada ou a mudança de posição pode interromper o desenvolvimento das larvas e prejudicar o acompanhamento do programa de controle da dengue.
A manutenção dos dispositivos fica sob responsabilidade das equipes do projeto. Cabe a esses profissionais vistoriar os pontos, substituir recipientes perdidos e avaliar as condições necessárias para o desenvolvimento dos mosquitos. A população pode contribuir preservando as instalações e mantendo os cuidados domésticos para evitar água parada, sem confundir os DLOs com recipientes comuns abandonados.

As medidas preventivas continuam necessárias em todos os imóveis, mesmo com a implantação do método. Entre as ações recomendadas estão eliminar objetos que possam acumular água, manter caixas-d’água fechadas e observar áreas externas, calhas e recipientes expostos. A presença da Wolbachia não impede que outros mosquitos se desenvolvam em criadouros domésticos nem elimina a necessidade de vigilância contínua.
Repercussão institucional e orientações sobre a dengue
A Prefeitura de Anápolis reforçou que os dispositivos fazem parte de uma ação oficial realizada conjuntamente com o Ministério da Saúde e a Fiocruz. A administração municipal também destacou que os recipientes são instalados exclusivamente em áreas públicas, reduzindo a necessidade de acesso a imóveis particulares para a liberação dos ovos. A orientação pública foi motivada pela identificação de centenas de baldes retirados ou danificados.
O alerta das instituições responsáveis concentra-se na preservação dos pontos instalados e na continuidade da prevenção cotidiana. A iniciativa foi apresentada como uma forma de reduzir a capacidade de transmissão do mosquito, não como substituição das ações convencionais. Assim, a resposta à dengue permanece dependente da combinação entre o método biológico, o trabalho das equipes e a colaboração dos moradores.
Próximos passos do programa em Anápolis
A etapa seguinte envolve a manutenção dos 4 mil dispositivos distribuídos pelos 42 bairros alcançados inicialmente. As equipes devem continuar verificando os pontos, identificando perdas e fazendo substituições quando necessário. O material disponível não informa um calendário público para novas instalações nem estabelece prazo final para a expansão do programa, por isso essas etapas permanecem sem confirmação detalhada.
O estágio atual é de implantação, monitoramento e orientação da população sobre o uso dos DLOs. A estratégia depende da permanência dos recipientes, do desenvolvimento dos mosquitos com Wolbachia e da adoção simultânea de medidas contra criadouros. Em Anápolis, o combate à dengue avança com uma ferramenta complementar, mas a prevenção diária continua indispensável.