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Goiânia registra a menor taxa de assassinatos da série histórica em 2026 e sobe no ranking de segurança

Capital goiana ocupa a quarta posição entre as mais seguras do país, com índice 29% abaixo da média nacional, aponta anu

Redação Redação · · 11 min de leitura
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Goiania

Goiânia alcançou a menor taxa de assassinatos desde o início da série histórica do Anuário de Cidades Mais Seguras do Brasil, elaborado pela empresa MySide, e subiu duas posições no ranking nacional de segurança. A capital goiana registrou 15,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2026, índice aproximadamente 29% inferior à média brasileira, que é de 21,5 assassinatos por 100 mil habitantes. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (27), utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde para comparar a violência letal nos municípios brasileiros, considerando exclusivamente os assassinatos, sem abranger outros tipos de crime ou a percepção de segurança da população.

Com o resultado, Goiânia passou a ocupar a quarta posição entre as capitais mais seguras do país, atrás apenas de Florianópolis, que lidera o ranking com taxa de 11,5 assassinatos por 100 mil habitantes, São Paulo, com 12,3, e Brasília, com 12,4. A capital goiana é a segunda mais bem colocada da região Centro-Oeste, à frente de Cuiabá, que registrou 17,0 homicídios por 100 mil habitantes, e de Campo Grande, com 19,5. Na comparação anual, a taxa de assassinatos em Goiânia apresentou redução de aproximadamente 20% em relação ao levantamento anterior, consolidando uma trajetória de queda que também é observada nos registros de homicídios dolosos, que tiveram diminuição de 51% segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

Goiânia reduz assassinatos com ações municipais integradas

O desempenho de Goiânia no anuário reflete um conjunto de medidas adotadas pela administração municipal, que ampliou sua participação nas ações de segurança pública por meio de investimentos na Guarda Civil Metropolitana (GCM), modernização da estrutura de monitoramento e iniciativas de prevenção à criminalidade. Embora a segurança pública seja uma atribuição constitucional dos estados, o município atua de forma complementar com patrulhamento de espaços públicos, regulamentação de estabelecimentos comerciais, melhoria da iluminação e integração de tecnologias para apoiar o trabalho das forças de segurança estaduais e federais. A Prefeitura de Goiânia informou que a estratégia tem como objetivo fortalecer a proteção da população e reduzir os índices de criminalidade na capital.

Um dos marcos dessa atuação foi a criação da Lei 11.459/2025, que restringiu o horário de funcionamento de distribuidoras de bebidas na capital, permitindo a operação apenas entre meia-noite e 5h. A medida produziu resultados expressivos: os homicídios registrados nesses estabelecimentos tiveram redução de 90,91%, enquanto o número de brigas caiu 71,10% e as ocorrências de perturbação do sossego diminuíram 84,44%. Os dados foram compilados pela própria administração municipal e indicam que a regulação do comércio noturno teve impacto direto na contenção de situações de violência associadas ao consumo de álcool em locais de grande concentração de pessoas.

Goiania

Outro eixo central da política de segurança em Goiânia é a modernização da iluminação pública. A atual gestão promoveu a substituição de luminárias convencionais de vapor de sódio por equipamentos de tecnologia LED em mais de 200 mil pontos espalhados pelas ruas e avenidas da cidade. O município também iniciou a implantação da tecnologia em praças e parques, com o objetivo de melhorar as condições de circulação e ampliar a visibilidade nos espaços públicos, especialmente no período noturno. A melhoria da iluminação é considerada uma medida de prevenção situacional, que busca reduzir oportunidades para a prática de crimes ao aumentar a sensação de vigilância e a capacidade de monitoramento natural dos ambientes urbanos.

Histórico de violência e trajetória de queda na capital

Goiânia integra uma região metropolitana que historicamente enfrenta desafios significativos na área de segurança pública, com taxas de homicídios que já estiveram entre as mais elevadas do país nas décadas de 2000 e 2010. O estado de Goiás, assim como outros entes federativos do Centro-Oeste, registrou crescimento da violência letal associado a fatores como expansão urbana acelerada, conflitos fundiários e a presença de organizações criminosas em rotas de tráfico. A reversão desse cenário na capital goiana começou a se desenhar de forma mais consistente a partir da segunda metade da década de 2010, quando políticas integradas de segurança e investimentos em inteligência policial passaram a produzir resultados mensuráveis.

O Anuário de Cidades Mais Seguras do Brasil, publicado pela MySide, utiliza metodologia baseada nos registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e nas projeções populacionais do IBGE. O indicador considera especificamente as mortes classificadas como agressões, o que inclui homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, mas exclui outros crimes violentos, como roubos, furtos e estupros. Por essa razão, o ranking não mede a criminalidade de forma ampla, mas oferece um parâmetro comparativo da violência letal entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, permitindo acompanhar tendências ao longo do tempo.

Na edição de 2026, a taxa de 15,2 assassinatos por 100 mil habitantes coloca Goiânia em um patamar significativamente inferior à média nacional e também abaixo da média da região Centro-Oeste, que historicamente apresenta índices elevados de violência letal. A capital goiana superou cidades como Cuiabá, Campo Grande, Belo Horizonte e Rio de Janeiro no quesito segurança medida por homicídios. A trajetória de queda é consistente com a redução de 51% nos homicídios dolosos registrados pelo Sinesp, o que sugere que as políticas de segurança adotadas em nível municipal e estadual têm produzido efeitos duradouros sobre a criminalidade violenta na cidade.

O que muda na prática para a população de Goiânia

Os indicadores de redução de assassinatos em Goiânia têm reflexos concretos na vida da população, ainda que o anuário não meça a percepção de segurança, que pode ser influenciada por fatores subjetivos e por outros tipos de crime, como roubos e furtos. A queda sustentada da violência letal está associada a impactos positivos em áreas como saúde pública, economia local e qualidade de vida nos bairros. Estudos internacionais e nacionais indicam que a redução de homicídios tende a diminuir a pressão sobre os serviços de emergência hospitalar, reduzir os custos com segurança privada e aumentar a atratividade de áreas urbanas para investimentos imobiliários e comerciais, embora esses efeitos dependam de uma série de outras variáveis socioeconômicas.

No caso específico da capital goiana, a Prefeitura tem buscado traduzir os avanços estatísticos em melhorias perceptíveis para os moradores por meio de programas como o Goiânia + Segura, lançado em setembro de 2026 pelo prefeito Sandro Mabel. O programa prevê a expansão do videomonitoramento para até 10 mil câmeras conectadas à rede municipal, somando equipamentos próprios e dispositivos integrados da iniciativa privada. A estrutura inclui a instalação de 1.800 câmeras de alta resolução, das quais 220 já estavam em operação no momento do lançamento, além da implantação de um novo Centro Operacional até 2028, com uma rede de mais de 800 quilômetros de fibra óptica e conexão com 626 prédios públicos.

As medidas também abrangem o reforço do patrulhamento em pontos de ônibus, com operação diária entre 4h e 6h, envolvendo 40 viaturas e 65 agentes da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU), além do Grupo de Operações com Cães e do apoio da Polícia Militar. Para as mulheres em situação de violência, o programa Goiânia + Segura mantém a Patrulha Mulher Mais Segura e o aplicativo Prefeitura 24h, que disponibiliza o Botão do Pânico. Atualmente, 1.052 mulheres estão cadastradas na plataforma, que permite acionar a GCM em situações de emergência. A frota da Guarda Civil Metropolitana também foi renovada com 111 veículos, entre utilitários, motocicletas e micro-ônibus, e a gestão anunciou concurso para o chamamento de 200 agentes, com outros 500 nomes previstos em cadastro de reserva.

Goiânia no debate nacional sobre segurança pública

O desempenho de Goiânia no ranking da MySide gerou repercussão entre especialistas em segurança pública e gestores municipais, que apontam a capital goiana como um exemplo de que políticas locais podem contribuir de forma relevante para a redução da violência, mesmo em um contexto em que a responsabilidade primária pela segurança é dos estados. Pesquisadores da área destacam que a combinação de iluminação pública eficiente, regulação de estabelecimentos comerciais, videomonitoramento integrado e patrulhamento comunitário tem sido adotada com resultados positivos em diversas cidades brasileiras e estrangeiras, embora cada contexto exija adaptações específicas.

O prefeito Sandro Mabel afirmou, em comunicado divulgado pela Secretaria Municipal de Comunicação, que a administração busca fazer de Goiânia a cidade mais segura para se viver e que a capital já tem sido referência nesse sentido. A declaração foi acompanhada da divulgação de dados sobre os investimentos em andamento, como a aquisição de armamentos e equipamentos para a GCM e a expansão da rede de fibra óptica para interligar prédios públicos. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa locais ponderam, no entanto, que a sustentabilidade dos resultados depende da continuidade dos investimentos e da integração efetiva entre as polícias Civil e Militar, o Ministério Público e o Judiciário, sem os quais as ações municipais têm alcance limitado.

O anuário da MySide também reacendeu o debate sobre a necessidade de indicadores mais abrangentes para medir a segurança urbana, que considerem não apenas os homicídios, mas também crimes patrimoniais, violência de gênero e a percepção dos cidadãos. Organizações da sociedade civil e institutos de pesquisa têm defendido a criação de índices multidimensionais que permitam avaliar de forma mais precisa o impacto das políticas públicas sobre a sensação de segurança da população. Enquanto isso, os dados de 2026 colocam Goiânia em uma posição de destaque que, segundo a administração municipal, deve ser consolidada com a continuidade dos programas em andamento e a expansão das ações de prevenção à violência.

Próximos passos e agenda de segurança na capital

O programa Goiânia + Segura estabelece metas de médio prazo que incluem a conclusão do novo Centro Operacional até 2028 e a ampliação progressiva da cobertura de câmeras de monitoramento, com a meta de alcançar 10 mil dispositivos conectados à rede municipal. A Prefeitura também prevê a continuidade do concurso para a Guarda Civil Metropolitana, com a incorporação escalonada dos novos agentes ao longo dos próximos anos, e a manutenção dos investimentos em iluminação pública, com a expansão da tecnologia LED para áreas que ainda não foram contempladas. A administração municipal não divulgou, até o momento, um cronograma detalhado com prazos específicos para cada etapa, mas informou que os processos licitatórios e as contratações estão em andamento.

A sustentação dos índices alcançados por Goiânia dependerá, segundo analistas, da capacidade do município de manter os investimentos em segurança mesmo diante de eventuais restrições orçamentárias e da oscilação de prioridades políticas. A integração com o governo estadual e com o governo federal também é apontada como fator crítico, uma vez que o enfrentamento de organizações criminosas e a investigação de homicídios exigem estruturas que vão além das competências municipais. A posição de destaque no ranking de 2026 representa, nesse contexto, um ponto de partida para a consolidação de uma política de segurança de longo prazo, cujos resultados futuros ainda precisarão ser confirmados pelas próximas edições do anuário e por outros indicadores de violência em Goiânia.

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