Menu

Redes sociais

Portal Goiás Destaque

Cresce participação no Fica 2026 e festival reforça foco ambiental

Fica

A 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026), que será realizada entre 16 e 21 de junho na cidade de Goiás, consolida-se como um dos principais eventos audiovisuais dedicados à temática socioambiental no país. A organização do festival registrou 1.145 produções inscritas, entre longas, médias e curtas-metragens, com destaque para o crescimento expressivo nas mostras Becos da Minha Terra e de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais, o que reforça a centralidade da identidade, da diversidade e dos territórios nas narrativas selecionadas.

Aumento das inscrições e fortalecimento das mostras temáticas

A Mostra Becos da Minha Terra, voltada à produção vilaboense, recebeu 86 curtas-metragens, volume 48,28% superior ao do ano anterior, quando foram inscritas 58 obras. Esse avanço indica um dinamismo crescente da cena audiovisual local e evidencia a capacidade de o festival funcionar como plataforma estruturante para novos realizadores da cidade de Goiás e de seu entorno.

Já a Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais apresentou um salto ainda mais significativo. Ao todo, foram 24 longas-metragens e 161 curtas e médias-metragens inscritos, somando 185 produções. Em comparação às 77 inscrições da última edição, o crescimento é de 140,26%. O dado aponta para uma ampliação consistente do interesse de cineastas indígenas e de comunidades tradicionais em utilizar o cinema como ferramenta de registro, afirmação cultural e mediação com o público urbano, nacional e internacional.

Para a gestão cultural do Estado, esse movimento reforça o papel do Fica como vitrine de produções que, historicamente, tiveram menor acesso aos circuitos formais de difusão audiovisual. Ao privilegiar a presença de narrativas territoriais e de grupos originários e tradicionais, o festival contribui para a diversificação dos referenciais simbólicos associados ao meio ambiente, deslocando o foco de uma abordagem estritamente naturalista para uma visão que integra cultura, memória, identidade e modos de vida.

Perfil das inscrições e dimensão internacional do Fica 2026

No conjunto das 1.145 produções submetidas ao Fica 2026, foram contabilizados 155 longas-metragens e 990 médias e curtas-metragens. Entre as mostras competitivas, a maior demanda recaiu sobre a Mostra Competitiva Internacional Washington Novaes, que recebeu 121 longas e 783 curtas e médias. A procura reforça a relevância do festival como espaço de consagração e reconhecimento no circuito ambiental global, especialmente para obras que dialogam com temas como mudanças climáticas, recursos hídricos, justiça ambiental e conflitos socioambientais.

A Mostra Competitiva do Cinema Goiano, de temática livre, também registrou participação consistente, com 25 longas-metragens e 155 curtas e médias-metragens inscritos. Esse recorte evidencia a consolidação do Fica como principal vitrine do audiovisual goiano, estimulando o fortalecimento de uma cadeia produtiva regional que se beneficia da visibilidade nacional e internacional proporcionada pelo evento.

Do ponto de vista geográfico, o festival alcançou inscrições provenientes de 21 estados brasileiros e de 83 países, o que confirma sua inserção em um circuito internacional especializado em cinema ambiental. A Mostra Competitiva Internacional Washington Novaes recebeu 397 inscrições de produções estrangeiras, enquanto a Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais contou com 66 candidaturas internacionais. Entre os países com maior participação, destacam-se Índia, com 48 inscrições, seguida por Argentina (23), Espanha (21) e Itália (20). No âmbito doméstico, Goiás, São Paulo e Ceará figuram entre os estados com maior número de inscritos, sinalizando uma combinação de interiorização e concentração em polos tradicionais de produção audiovisual.

Diversidade, identidade e narrativas ambientais

O crescimento nas inscrições das mostras dedicadas a produções locais e a povos indígenas e tradicionais revela um deslocamento relevante na forma como o cinema ambiental vem sendo construído. Em vez de se limitar a discursos técnicos sobre conservação, as obras tendem a incorporar perspectivas comunitárias, memórias coletivas e experiências cotidianas relacionadas ao uso e à proteção de recursos naturais.

Nesse contexto, a Mostra Becos da Minha Terra reafirma a centralidade da cidade de Goiás e de sua população na construção do Fica 2026. Ao estimular realizadores vilaboenses, o festival contribui para a formação de um acervo audiovisual que registra transformações urbanas, relações com o patrimônio histórico, dinâmicas sociais e desafios ambientais locais, frequentemente invisibilizados em recortes nacionais mais amplos.

Por sua vez, a Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais amplia a circulação de olhares que abordam território, cultura e modos de vida de forma integrada. Essas produções tendem a valorizar a relação intrínseca entre comunidades e ambiente, enfatizando práticas de manejo tradicional, cosmologias próprias e formas de resistência a processos de degradação ambiental e expulsão territorial. Ao colocar essas narrativas em evidência, o Fica 2026 contribui para reposicionar o debate ambiental em bases mais plurais e menos assimétricas.

Tema central: água, clima e nascentes

O Fica 2026 será realizado sob o tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”, orientação que dialoga diretamente com agendas globais de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. Ao focar nas nascentes, o festival coloca em evidência a importância das áreas de recarga hídrica e de proteção de mananciais, fundamentais para a segurança hídrica de cidades e regiões inteiras.

Esse recorte é particularmente relevante em um contexto de intensificação de eventos extremos, como secas prolongadas e enchentes, e de disputas crescentes pelo uso da água em setores como agricultura, mineração, indústria e consumo urbano. A escolha temática tende a direcionar a curadoria para obras que abordem não apenas a dimensão ecológica, mas também as implicações sociais, econômicas e políticas da gestão da água, incluindo conflitos por acesso, privatização de serviços, impactos de grandes empreendimentos e experiências de governança comunitária.

Ao articular clima e recursos hídricos em um recorte territorial associado ao “Brasil das Nascentes”, o festival também coloca em pauta o papel estratégico de biomas como Cerrado e Mata Atlântica para a manutenção dos ciclos hidrológicos, indicando a interdependência entre conservação da vegetação nativa, estabilidade climática e disponibilidade de água em médio e longo prazos.

Programação, formação e articulação institucional

A programação do Fica 2026 será gratuita e estruturada em múltiplos eixos, combinando mostras de filmes, oficinas, debates e atrações artísticas. Essa abordagem busca integrar difusão, formação e reflexão crítica, compondo um ambiente no qual o espectador participa não apenas como público passivo, mas como interlocutor de processos educativos e de construção de consciência socioambiental.

As oficinas de cinema e meio ambiente tendem a ocupar papel estratégico na formação de novos realizadores e educadores, estimulando o uso do audiovisual como recurso pedagógico em escolas, universidades, coletivos culturais e organizações da sociedade civil. Já os debates com convidados do audiovisual ampliam a capacidade de interpretação dos conteúdos exibidos, ao aproximar realizadores, pesquisadores, gestores públicos e lideranças comunitárias.

Do ponto de vista institucional, o festival é promovido pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Cultura, em correalização com a Universidade Federal de Goiás e a Fundação Rádio e Televisão Educativa. A 27ª edição conta ainda com a cooperação de diferentes secretarias estaduais — entre elas, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Saúde, Esporte e Lazer, Educação e Desenvolvimento Social — além de programas governamentais, empresas públicas de saneamento, forças de segurança, instituições de ensino superior e a Prefeitura da cidade de Goiás. Essa rede de parceiros indica um esforço de transversalidade de políticas públicas, conectando cultura, educação, meio ambiente, saúde e desenvolvimento social.

Perspectivas e impactos esperados

Ao combinar alta adesão de produções nacionais e estrangeiras, crescimento expressivo em mostras voltadas a identidades locais e povos tradicionais, e um tema central alinhado a desafios contemporâneos de água e clima, o Fica 2026 tende a reforçar seu papel como fórum de referência para o cinema ambiental. A cidade de Goiás, patrimônio histórico e cultural, converte-se novamente em polo de circulação de ideias, obras e experiências que ultrapassam a dimensão estritamente artística e se projetam sobre debates estratégicos de políticas públicas e desenvolvimento sustentável.

A expectativa é que a visibilidade alcançada pelas produções selecionadas contribua para ampliar a inserção de realizadores em circuitos de festivais, plataformas de exibição e iniciativas de educação ambiental. Simultaneamente, o festival tende a fortalecer a percepção, entre gestores públicos e sociedade civil, de que cultura e audiovisual são componentes estruturais de qualquer estratégia consistente de enfrentamento da crise climática e de proteção de recursos hídricos.

Nesse sentido, o Fica 2026 se apresenta não apenas como um evento de programação robusta, mas como um espaço de articulação entre cinema, ciência, políticas ambientais e participação social, no qual a diversidade de vozes e territórios deixa de ser periférica para se tornar elemento central da narrativa sobre o futuro climático e hídrico do país.

Comentários

Participe da conversa! Lembre-se de ser respeitoso e seguir nossas regras.

Aviso Legal: Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste portal. Nos reservamos o direito de excluir comentários que violem nossas regras. Internet NÃO é terra sem lei! Comentários ofensivos podem ser punidos conforme legislação vigente.