O Procon Anápolis divulgou uma pesquisa comparativa de preços de peixes e ovos realizado entre 16 e 19 de março de 2026, em 12 estabelecimentos comerciais do município, e identificou diferenças expressivas entre os valores praticados, especialmente em itens tradicionais do consumo no período que antecede a Semana Santa. A pesquisa, feita em seis peixarias e seis supermercados, teve como foco orientar consumidores na escolha mais econômica e reforçar a importância da verificação da qualidade dos produtos.
Metodologia e abrangência da pesquisa
De acordo com as informações do órgão de defesa do consumidor, a coleta dos dados ocorreu de forma presencial, por técnicos que percorreram diferentes regiões da cidade. Foram considerados produtos com as mesmas especificações e gramaturas, de modo a permitir comparação homogênea entre os estabelecimentos. O estudo concentrou-se em itens de maior procura durante a Semana Santa, quando o consumo de pescado aumenta e os ovos ganham relevância na alimentação cotidiana.
No segmento de peixes, foram avaliados tipos amplamente presentes na mesa do consumidor brasileiro, como tambaqui, bacalhau, pintado, salmão e mapará, em diferentes apresentações (fresco, em posta, filé). No caso dos ovos, o levantamento contemplou dúzias de ovos vermelhos e brancos, com atenção às diferenças de preços entre supermercados.
O recorte temporal da pesquisa reflete um momento de maior sensibilidade no mercado, marcado por elevação de demanda e eventuais ajustes de preços. O Procon destaca que os valores registrados representam a realidade daquele período específico e podem sofrer alterações em função da dinâmica de oferta e procura, políticas comerciais internas de cada estabelecimento e eventuais custos logísticos e de reposição.
Peixes têm variação superior a 70% em Anápolis
Entre os produtos avaliados nas peixarias, o tambaqui fresco foi o item com maior disparidade de preços. O quilo do pescado foi encontrado a R$ 39,90 no Lev Peixes e Frios, enquanto o menor valor registrado foi de R$ 22,50 na Neto Peixes e Frios. A diferença corresponde a uma variação de 77,33%, evidenciando um amplo espaço para economia a partir da comparação entre estabelecimentos.
Outro destaque do levantamento foi o bacalhau do tipo Saithe em pedaço, produto tradicionalmente associado às refeições da Semana Santa. O preço máximo encontrado foi de R$ 120,00 por quilo na Nova Peixaria, ao passo que o menor valor, R$ 69,00, foi registrado no Atacadão do Peixe. A amplitude de preços nesse item reforça a necessidade de pesquisa prévia pelo consumidor, sobretudo em produtos de maior valor agregado.
O pintado, espécie bastante utilizada na culinária nacional, também apresentou significativa diferença. Na Peixaria e Frios Araguaia, o quilo do peixe foi comercializado a R$ 55,00, valor mais alto identificado pelo levantamento. Já o menor preço, R$ 39,90, foi encontrado em dois estabelecimentos: Atacadão do Peixe e Adonai Peixes. Essa variação ilustra como escolhas de ponto de compra podem impactar diretamente o orçamento familiar em datas de maior consumo.
Além desses itens, outros pescados registraram oscilações relevantes. O filé de salmão apresentou variação de 33,51%, o filé de mapará teve diferença de 33,78% entre o maior e o menor preço, e o mapará em posta mostrou variação de 36,99%. Tais percentuais indicam que, mesmo em produtos mais específicos, o mercado não é homogêneo, reforçando a recomendação de que o consumidor busque informações antes de finalizar a compra.
Ovos têm diferença de até quase 70% na dúzia
No segmento de ovos, a pesquisa também identificou discrepâncias significativas. A menor oferta para a dúzia de ovos vermelhos foi encontrada no supermercado Sempre Mais, a R$ 7,99. Já o maior valor para o mesmo produto foi registrado no Ponto Frios, a R$ 13,49. A diferença de 68,84% entre os extremos reforça a importância da comparação de preços mesmo em itens considerados básicos na cesta de consumo.
Em relação aos ovos brancos, o levantamento apontou o menor preço no Floresta Supermercados, onde a dúzia foi comercializada a R$ 7,99. O valor mais alto foi identificado em outro estabelecimento, a R$ 12,49, o que representa uma variação de 50,06% para o mesmo tipo de produto. O resultado revela que, mesmo em itens de consumo recorrente, o comportamento de preços pode ser bastante heterogêneo.
Essas diferenças, quando projetadas para compras frequentes ao longo do mês, têm potencial para impactar significativamente o orçamento doméstico, principalmente em famílias com consumo elevado desses itens. A prática sistemática de comparar valores, aliada à atenção à qualidade, tende a resultar em ganhos concretos para o consumidor.
Qualidade do produto: critérios para peixes e ovos
Além de divulgar a variação de preços, o Procon Anápolis enfatiza orientações relacionadas à qualidade dos produtos, ressaltando que o menor preço não deve ser o único critério de decisão de compra. No caso dos peixes, recomenda-se observar a firmeza da carne, que deve resistir à pressão dos dedos, o brilho das escamas, olhos claros e salientes e guelras com coloração avermelhada. Esses elementos são indicativos de frescor e conservação adequada.
A ausência dessas características pode sinalizar deterioração, armazenamento inadequado ou ruptura na cadeia de frio, fatores que comprometem a segurança alimentar. Em períodos de maior demanda, como a Semana Santa, a rotatividade de estoque tende a aumentar, mas isso não afasta a necessidade de verificação rigorosa por parte do consumidor no ato da compra.
Para os ovos, as orientações se concentram em aspectos sensoriais e de integridade física. O Procon recomenda atenção ao cheiro, à consistência da clara e à firmeza da gema. Embora muitos desses elementos só possam ser percebidos após o preparo, sinais externos visíveis, como casca íntegra, ausência de trincas e limpeza adequada, também devem ser considerados. Quebras na casca podem favorecer contaminações e perda de qualidade.
Pesagem e transparência na relação de consumo
Outro ponto de atenção destacado pelo órgão é a pesagem correta dos produtos. O consumidor é orientado a verificar se a balança utilizada pelo estabelecimento possui selo do Inmetro, lacre de segurança intacto e visor visível ao público. Esses requisitos técnicos são fundamentais para garantir transparência na medição e evitar divergências entre o peso cobrado e o efetivamente entregue.
A aferição regular e a certificação dos equipamentos de pesagem integram o conjunto de mecanismos de proteção do consumidor previstos na legislação. Em produtos vendidos a granel ou por quilo, como peixes frescos e algumas apresentações de ovos, qualquer imprecisão na balança pode gerar prejuízos acumulados, sobretudo em compras de maior volume durante datas sazonais.
O Procon ressalta que o consumidor tem o direito de acompanhar a pesagem, solicitar esclarecimentos e, em caso de suspeita de irregularidade, registrar reclamação. A atuação preventiva, com observação atenta no momento da compra, é considerada uma das formas mais eficazes de inibir práticas inadequadas no comércio varejista.
Orientação contínua e acesso às informações
Além da pesquisa pontual de preços, o Procon Anápolis mantém canais de atendimento para esclarecimento de dúvidas e recebimento de denúncias. Os consumidores podem entrar em contato pelos telefones (62) 98551-8185 e (62) 2604-0200, onde podem obter informações adicionais sobre direitos, registrar queixas e solicitar orientações específicas sobre relações de consumo.
A íntegra do levantamento, com a tabela detalhada de preços coletados e o relatório técnico, está disponível para consulta no site da Prefeitura de Anápolis. O acesso aos dados completos permite ao consumidor analisar com maior profundidade o comportamento de preços por estabelecimento, tipo de produto e região da cidade, favorecendo decisões de compra mais informadas.
O estudo reforça a relevância de instrumentos de transparência e monitoramento de mercado, especialmente em períodos de sazonalidade, como a Semana Santa. Ao tornar públicas as diferenças de preços e reforçar os critérios de qualidade e segurança, a iniciativa contribui para o equilíbrio das relações de consumo e para a efetividade dos direitos previstos na legislação, estimulando tanto a consciência do consumidor quanto a concorrência saudável entre estabelecimentos.
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