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Taxa do lixo em Goiânia pode ser revogada

Redação Redação · · 4 min de leitura
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lixo

Goiânia vive uma disputa técnica com sabor popular: a revogação da chamada “taxa do lixo” (TLP) avançou na Comissão de Constituição e Justiça e segue agora para a primeira votação em plenário. O projeto, de autoria do vereador Lucas Vergílio (MDB), saiu do limbo após pedido de desarquivamento e ganhou parecer favorável — um roteiro digno de novela administrativa, com reviravoltas, relatórios de última hora e até troca de relatoria. Para o cidadão, a notícia é simples e direta; para o gestor público, trata-se de uma decisão que exige cuidado técnico e equilíbrio fiscal.

Tecnicamente, o debate girou em torno de dois eixos: a constitucionalidade da revogação e o impacto orçamentário para as contas do município. A Procuradoria da Câmara chegou a apontar vício formal pela ausência do estudo de impacto financeiro e alertou para a possível renúncia de receita, já que a taxa começou a ser cobrada em julho. Do outro lado, o autor do projeto apresentou o estudo solicitado, e o relator na CCJ concluiu que, diante das características da arrecadação e da estrutura orçamentária, a revogação não configuraria renúncia tributária nos termos do ADCT e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Vamos aos números — que, convenhamos, sempre espantam o estômago antes do café: o orçamento previsto para Goiânia em 2025 é de R$ 10,6 bilhões, com um superávit projetado de R$ 1,02 bilhão nas despesas correntes. Isso significa que, mesmo considerando uma arrecadação incipiente da TLP (começada em julho e sem histórico consolidado), há margem na execução orçamentária para ajustar prioridades sem comprometer o equilíbrio fiscal. Em termos práticos, é como descobrir que o cofrinho municipal ainda tem moedas suficientes para pagar a conta do mês, mesmo sem aquela moedinha nova que começou a aparecer em julho.

Um ponto crucial — e por vezes pouco entendido por quem não lida com finanças públicas diariamente — é a distinção entre receita consolidada e previsão orçamentária. Vergílio argumentou que, sem histórico robusto e sem previsão na Lei Orçamentária Anual de 2025, a TLP não deveria ser considerada uma receita consolidada cujo corte implicaria em renúncia proibida. Além disso, ressaltou-se que não houve inovação no serviço: a limpeza urbana já era executada por órgãos e consórcios com recursos ordinários, o que enfraquece a tese de que a taxa seria imprescindível para manter o serviço.

Há, claro, nuances políticas que atravessam a discussão. O mecanismo de inclusão e inversão de pauta — que tirou o projeto de uma pauta fria e o colocou sob holofotes — mostra que decisões técnicas andam lado a lado com estratégias regimentais. A votação na CCJ teve apenas um voto contrário, sinalizando que a maioria dos vereadores está disposta a levar o assunto ao plenário para debate mais amplo. É aí que o jogo democrático se completa: técnica, política e legitimidade pública caminhando juntas (ou batendo cabeça, se preferir).

Alivio sem a taxa do lixo

Para o eleitor comum: o que está em jogo? Simples — se a taxa for revogada, haverá alívio imediato no bolso do contribuinte; se mantida, haverá continuidade na cobrança e possivelmente menor pressão sobre determinadas rubricas orçamentárias. Para a administração municipal, a questão é calibrar o corte de receita (ou sua reversão) sem perder o equilíbrio fiscal nem sacrificar serviços. Pense nisso como ajustar o termostato da casa: um grau a mais ou a menos muda o conforto, mas não pode quebrar o sistema de aquecimento.

No final das contas, a decisão que se aproxima no plenário deve equilibrar técnica e sensibilidade pública. Revogar uma taxa recém-implantada sem comprovação de impacto negativo e sem prejudicar o equilíbrio fiscal é um argumento forte — e, pedagógicamente, também é uma oportunidade para aperfeiçoar a comunicação entre o município e os contribuintes sobre como e por que se cobram tributos. Se a política é a arte do possível, aqui a arte precisa vir acompanhada de planilha, estudo e, por que não, um pouco de bom senso.

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