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Flávio e Lula ajustam estratégia para último debate presidencial

Campanhas identificaram falhas no debate da Band e preparam mudanças de postura para o encontro decisivo na TV Globo

Redação Redação · · 9 min de leitura
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flavio

As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiram reavaliar a postura dos candidatos para o último debate do segundo turno, marcado para sexta-feira, 23 de outubro de 2026, na TV Globo. A decisão foi tomada após uma análise interna que apontou equívocos e oportunidades perdidas no confronto realizado no domingo, 18 de outubro, pela TV Bandeirantes. Ambas as equipes concluíram que nenhum dos dois conseguiu dialogar com o eleitorado indeciso e moderado, segmento considerado decisivo para o resultado da eleição presidencial deste ano.

O diagnóstico foi embasado por pesquisas informais conduzidas em redes sociais e com grupos de eleitores, que indicaram um debate classificado internamente como vazio de propostas e excessivamente agressivo na forma. A avaliação coincidente nos dois comitês é de que o formato do encontro da Globo, que privilegia perguntas temáticas e reduz os embates diretos, exige uma abordagem menos combativa e mais focada na apresentação de propostas. Com isso, tanto o senador quanto o ex-presidente devem passar por novos treinamentos até sexta-feira, na tentativa de corrigir as falhas identificadas e ampliar a capacidade de conversão de votos.

O que as campanhas de Flávio identificaram como falhas

A campanha de Flávio Bolsonaro concentrou suas críticas na postura evasiva do candidato durante o debate da Band. O diagnóstico interno apontou que o senador precisa ser menos genérico e mais claro nas respostas, evitando desvios que possam transmitir insegurança ou falta de domínio sobre os temas abordados. A equipe bolsonarista também identificou que a estratégia de gesticular atrás do adversário enquanto Lula falava não foi consenso entre os integrantes do grupo político, gerando um debate interno sobre a conveniência desse tipo de comportamento em um confronto televisionado.

Observadores alinhados à direita manifestaram preocupação com o impacto dessa conduta sobre o eleitorado feminino, tradicionalmente um fiel da balança em disputas de segundo turno. A avaliação é de que a gesticulação por trás do oponente pode passar uma imagem de arrogância e desrespeito, características que costumam ser refutadas pelas eleitoras. Esse segmento do eleitorado é visto como estratégico para qualquer candidatura que busque ampliar sua base além dos votos já consolidados, o que torna a correção desse aspecto uma prioridade para a reta final da campanha.

Além da linguagem corporal, a campanha de Flávio pretende reforçar o treinamento para que o candidato aproveite melhor os blocos de perguntas temáticas, característica central do formato da Globo. A expectativa é de que, com respostas mais diretas e menos reativas às provocações, o senador consiga transmitir uma imagem de maior preparo e equilíbrio. A equipe trabalha com a hipótese de que o eleitor moderado, ainda indeciso, tende a rejeitar o excesso de agressividade e valorizar a clareza programática, o que exigirá de Flávio uma performance substancialmente diferente da apresentada no domingo.

Contexto e antecedentes dos debates presidenciais

O debate da TV Bandeirantes, realizado em 18 de outubro, foi o primeiro encontro direto entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno das eleições de 2026. Historicamente, os debates de segundo turno no Brasil costumam atrair audiências expressivas e influenciar a decisão de eleitores que ainda não consolidaram seu voto, especialmente aqueles que não se identificam com partidos políticos. Em eleições anteriores, o desempenho em debates foi apontado por analistas como fator relevante para oscilações nas intenções de voto na reta final, embora o peso desse impacto varie conforme o contexto de cada disputa.

O formato adotado pela TV Globo para o último encontro antes da votação é tradicionalmente menos propenso ao confronto direto, pois organiza os blocos em torno de temas específicos, com tempo controlado para perguntas, respostas e réplicas. Esse modelo difere do utilizado pela Band, que permitiu maior interação espontânea entre os candidatos e, segundo as avaliações internas, favoreceu a escalada de provocações mútuas. A mudança de dinâmica é considerada pelas duas campanhas como um elemento que pode beneficiar o candidato que demonstrar maior capacidade de articular propostas de forma didática e conectada com as preocupações cotidianas do eleitorado.

A preparação para debates presidenciais no Brasil envolve, em geral, simulações com marqueteiros, assessores temáticos e, em alguns casos, consultores externos especializados em comunicação não verbal. No pleito de 2026, o contexto é marcado por um eleitorado que, segundo pesquisas de opinião, demonstra alto grau de desconfiança em relação a promessas genéricas e valoriza respostas concretas sobre economia, segurança pública e serviços sociais. Esse cenário ajuda a explicar por que ambas as campanhas consideraram o desempenho no primeiro debate como abaixo do esperado e decidiram investir em ajustes para o encontro da Globo.

Impactos e o que muda na reta final da campanha

A decisão de ajustar a postura de Flávio e de Lula para o último debate tem implicações diretas sobre a estratégia de comunicação das duas candidaturas na semana que antecede a votação. O tempo disponível para treinamentos é curto: entre a segunda-feira, 19 de outubro, e a sexta-feira, 23 de outubro, as equipes precisarão realizar novas simulações, revisar os principais temas que devem ser abordados no encontro e calibrar o tom das respostas. A proximidade com a data da eleição, marcada para o domingo seguinte ao debate, aumenta a pressão para que o desempenho no confronto televisivo seja eficaz na conquista dos votos ainda em disputa.

Para o eleitorado indeciso e moderado, o debate da Globo representa a última grande oportunidade de comparar os candidatos lado a lado antes de tomar uma decisão. Esse segmento, que as campanhas identificaram como alvo prioritário, tende a valorizar propostas objetivas e rejeitar o embate excessivamente agressivo. A expectativa é de que o formato temático do encontro force os candidatos a detalharem suas plataformas em áreas como geração de emprego, saúde, educação e segurança, temas que pesquisas qualitativas apontam como centrais para os eleitores que ainda não definiram seu voto.

As mudanças planejadas também afetam a dinâmica interna das campanhas. No entorno de Flávio, a discussão sobre a linguagem corporal e a necessidade de respostas mais diretas expôs divergências entre assessores sobre o estilo que o candidato deve adotar. A ala que defende uma postura mais contida e focada em propostas ganhou força após o diagnóstico do debate da Band, mas a decisão final sobre o tom a ser empregado dependerá das simulações que serão realizadas ao longo da semana. O equilíbrio entre firmeza e moderação é o principal desafio enfrentado pela equipe bolsonarista neste momento.

Repercussão e posicionamentos sobre o desempenho de Flávio

A avaliação de que Flávio Bolsonaro precisa ajustar sua postura no debate gerou repercussão entre aliados e analistas políticos. Dentro da campanha, a crítica à postura evasiva e à gesticulação excessiva foi acompanhada por um reconhecimento de que o senador tem condições de melhorar seu desempenho com treinamento focado. Assessores próximos ao candidato defendem que o formato da Globo, ao reduzir as oportunidades de interrupção e provocação direta, favorece um estilo mais contido e programático, alinhado com as correções que estão sendo planejadas.

Fora do círculo da campanha, observadores independentes também apontaram que o primeiro debate deixou lacunas na apresentação de propostas concretas por parte de ambos os candidatos. A percepção de que o confronto foi dominado por ataques mútuos em detrimento do conteúdo programático foi registrada em análises publicadas após o encontro da Band. Essa leitura reforça a aposta das duas equipes de que o eleitor moderado espera do último debate um nível mais elevado de discussão sobre temas substantivos, o que exige preparação específica e mudança de abordagem.

Embora as campanhas não tenham divulgado publicamente os detalhes dos treinamentos, a informação de que ajustes estão em curso foi confirmada por interlocutores de ambas as candidaturas. A expectativa é de que os candidatos cheguem ao estúdio da Globo com estratégias revisadas, buscando evitar os erros identificados no domingo. A pressão sobre Flávio é particularmente significativa, uma vez que a campanha bolsonarista avalia que o candidato precisa ampliar sua penetração entre eleitores que ainda resistem à sua candidatura, especialmente mulheres e indecisos de centro.

Próximos passos até o debate e a eleição

A agenda até sexta-feira, 23 de outubro, inclui sessões intensivas de preparação para os dois candidatos, com foco na adaptação ao formato temático da TV Globo e na correção das falhas diagnosticadas. As campanhas trabalham com a hipótese de que o último debate pode influenciar uma parcela do eleitorado que decide o voto na última semana, tornando o encontro um evento de alto risco e alta recompensa. Além dos treinamentos, as equipes devem monitorar pesquisas qualitativas para ajustar as mensagens finais que serão levadas ao ar na reta final da propaganda eleitoral.

O resultado do debate e seu impacto sobre as intenções de voto só poderão ser medidos com precisão após a divulgação de pesquisas na véspera da eleição. Até lá, o que está confirmado é que tanto Flávio quanto Lula reconheceram internamente a necessidade de corrigir rumos e dedicarão os próximos dias a uma preparação mais rigorosa. A eleição presidencial de 2026 entra, assim, em sua fase mais decisiva, com o último confronto televisivo funcionando como um teste definitivo para a capacidade dos candidatos de conquistar o eleitor que ainda não escolheu seu voto.

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