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Expansão da hemodiálise em Goiás reduz deslocamentos e amplia acesso

Pacientes em tratamento de hemodiálise no interior de Goiás tem recebido maior acesso

Redação Redação · · 8 min de leitura
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hemodialise

A expansão dos serviços de hemodiálise nas Policlínicas Estaduais do interior de Goiás tem redesenhado o acesso ao tratamento para pacientes com doença renal crônica no estado. Com unidades em operação em Formosa, Posse, Quirinópolis e Goianésia, a rede já realiza cerca de 2.146 sessões mensais, consolidando uma estratégia de regionalização da assistência que reduz deslocamentos, amplia a cobertura e oferece maior conforto aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A descentralização do tratamento, antes concentrado em poucos centros urbanos, insere-se em uma agenda de fortalecimento da atenção especializada e busca mitigar um dos principais entraves para pacientes renais crônicos: a necessidade de viagens frequentes e longas, três vezes por semana, para garantir a continuidade da terapia dialítica. Ao aproximar o serviço da residência dos usuários, o estado reduz o custo social e pessoal associado ao tratamento, com impacto direto na qualidade de vida e na adesão às sessões.

Interiorização da hemodiálise e distribuição regional

Os dados de produção das policlínicas evidenciam a consolidação da oferta no interior. Em Formosa, a unidade estadual realiza aproximadamente 630 sessões de hemodiálise por mês e acompanha 48 pacientes ativos, distribuídos em três turnos de atendimento. O volume indica utilização intensiva da capacidade instalada e evidencia o papel da unidade como referência regional para a assistência nefrológica.

Em Posse, o serviço apresenta um dos maiores fluxos de atendimento entre as unidades já em funcionamento. São 68 pacientes acompanhados e média de 853 sessões mensais, número que traduz tanto a demanda reprimida historicamente na região quanto a capacidade de absorção do serviço após a sua implantação. Já em Quirinópolis, a policlínica acompanha 39 pacientes e realiza cerca de 507 sessões por mês, consolidando-se como ponto de apoio para municípios vizinhos.

Na Policlínica Estadual de Goianésia, o serviço atende 13 pacientes, com uma média de 156 sessões mensais. Embora menor em volume absoluto, o atendimento nessa unidade é estratégico, pois garante cobertura em uma região que, sem o serviço local, dependeria integralmente de deslocamentos para outros centros. Em conjunto, essas quatro policlínicas somam 2.146 sessões de hemodiálise por mês, representando um incremento significativo na oferta regionalizada da terapia renal substitutiva.

Ampliação da capacidade com nova unidade em Goiás

A expansão da rede de hemodiálise em Goiás ainda está em curso. A Policlínica Estadual da Região Rio Vermelho, localizada na cidade de Goiás, encontra-se em fase de implantação do seu serviço de hemodiálise. A unidade foi projetada para atender até 76 pacientes, o que, considerando a rotina padrão de três sessões semanais por paciente, representa o potencial de realização de até 1.026 sessões mensais.

Com a entrada em operação dessa nova estrutura, a rede estadual de policlínicas poderá ultrapassar a marca de 3.170 sessões mensais de hemodiálise. Esse patamar reforça a capacidade de absorver a demanda atual e potencial de pacientes com insuficiência renal crônica, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de serviços concentrados em capitais ou grandes centros.

A hemodiálise, por sua natureza, exige comparecimento regular e prolongado às unidades de saúde, uma vez que substitui parcialmente a função dos rins ao filtrar o sangue e remover toxinas e excesso de líquidos do organismo. A necessidade de três sessões por semana, com duração de várias horas por procedimento, torna o acesso geográfico um elemento central da política pública: quanto maior a distância percorrida, maior o desgaste físico, emocional e financeiro para o paciente e seus familiares.

Impactos na qualidade de vida e na adesão ao tratamento

Ao aproximar o serviço da residência dos pacientes, a rede de policlínicas contribui para a redução do tempo gasto em deslocamentos e para a mitigação de interrupções no tratamento, que podem ter consequências graves para a saúde de pessoas com doença renal crônica. A regionalização da hemodiálise reduz a dependência de transporte sanitário prolongado, minimiza faltas às sessões e cria ambiente mais favorável para o acompanhamento multiprofissional contínuo.

Do ponto de vista da gestão, a ampliação da oferta em unidades estaduais permite maior previsibilidade na organização das escalas de atendimento e no planejamento de insumos, equipamentos e recursos humanos especializados, como nefrologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e profissionais de apoio. Isso se reflete em maior segurança assistencial e na possibilidade de monitorar, de forma mais homogênea, indicadores de qualidade do cuidado aos pacientes renais.

A estratégia também dialoga com princípios da equidade em saúde ao distribuir serviços de alta complexidade em regiões que historicamente registraram menor densidade de oferta. Na prática, a interiorização reduz desigualdades territoriais no acesso à terapia renal substitutiva e aproxima padrões assistenciais entre diferentes microrregiões do estado.

Diálise peritoneal amplia alternativas e autonomia

Paralelamente à hemodiálise, a rede estadual tem fortalecido a oferta de diálise peritoneal, uma modalidade de tratamento que utiliza a membrana do abdômen como filtro natural para o sangue. Nessa técnica, um cateter é posicionado na cavidade abdominal para inserção de um líquido especial, que permanece por determinado período em contato com os vasos sanguíneos do peritônio, absorvendo toxinas e excesso de líquidos. Em seguida, esse líquido é drenado, levando consigo as substâncias indesejadas.

Inicialmente disponível na Policlínica Estadual de Posse, a diálise peritoneal passou a ser oferecida também nas unidades de Formosa, Quirinópolis e Goianésia. A expansão amplia o leque terapêutico à disposição de pacientes e equipes médicas, permitindo a indicação da modalidade mais adequada ao perfil clínico, social e funcional de cada usuário.

Um dos principais diferenciais da diálise peritoneal é a possibilidade de realização domiciliar, desde que o paciente esteja apto e receba suporte contínuo de uma equipe multiprofissional especializada. Esse arranjo favorece maior autonomia e flexibilidade na rotina, o que pode ser determinante para pessoas em idade produtiva ou com limitações significativas para deslocamentos frequentes a unidades de saúde.

A experiência de pacientes em transição da hemodiálise para a diálise peritoneal ilustra esse potencial. A aposentada Erotides Figueiredo Lima, acompanhada pela equipe da Policlínica Estadual de Goianésia, prepara-se para iniciar a diálise peritoneal em casa após 21 anos de tratamento em hemodiálise. Em seu relato, destaca o sentimento de segurança transmitido pela equipe e a expectativa de ganho em qualidade de vida ao adaptar o tratamento ao ambiente domiciliar.

“Sou muito grata a todos os médicos e à equipe que estão me ajudando nesta nova fase da minha vida. Eles me transmitem muita segurança e confiança. Acredito que esse tratamento vai me trazer mais qualidade de vida”, afirma a paciente, que inicia o novo protocolo após duas décadas em hemodiálise.

Desafios e perspectivas para a rede de terapia renal

A combinação entre a expansão da hemodiálise nas policlínicas e a oferta crescente de diálise peritoneal sinaliza um redesenho estruturado da atenção à doença renal crônica no interior de Goiás. Contudo, a sustentabilidade dessa política depende da manutenção de investimentos em infraestrutura, qualificação de equipes e monitoramento permanente de indicadores assistenciais, como taxa de ocupação, tempo de espera, adesão ao tratamento e desfechos clínicos.

Em um cenário de aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial e diabetes mellitus — fatores de risco importantes para insuficiência renal —, a ampliação da rede de terapia renal substitutiva precisa ser articulada a estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento na atenção primária. A regionalização dos serviços especializados, embora fundamental, é apenas um dos eixos de uma política integrada de cuidado ao paciente renal.

No curto prazo, a entrada em funcionamento do serviço de hemodiálise na Policlínica da Região Rio Vermelho tende a consolidar um patamar ampliado de cobertura, com capacidade superior a 3.170 sessões mensais em toda a rede estadual de policlínicas. No médio prazo, a consolidação da diálise peritoneal como alternativa estruturada, com suporte domiciliar qualificado, poderá contribuir adicionalmente para a desconcentração da demanda presencial e para o fortalecimento da autonomia dos pacientes.

Ao articular interiorização, diversificação de modalidades terapêuticas e foco em qualidade assistencial, a expansão dos serviços de hemodiálise e diálise peritoneal nas Policlínicas Estaduais de Goiás representa um passo relevante na construção de uma rede mais equânime e responsiva às necessidades de pessoas com doença renal crônica no estado.

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