A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou nesta segunda-feira a Campanha de Multivacinação 2026, com foco na atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos. A mobilização segue até 1º de setembro e terá Dia D nacional em 22 de agosto, com a oferta de imunizantes do calendário básico e ação paralela de resgate da vacina contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a dose.
A estratégia integra a mobilização nacional para elevar coberturas vacinais e reduzir o risco de retorno de doenças imunopreveníveis, como poliomielite e sarampo. Em Goiânia, a campanha ganha relevância adicional diante de índices ainda abaixo das metas recomendadas para diversos imunizantes, cenário que reforça a necessidade de busca ativa e de ampliação do acesso aos pontos de vacinação.
Baixa cobertura preocupa autoridades
Dados informados pela rede municipal mostram que algumas vacinas permanecem abaixo do patamar considerado adequado pelo Ministério da Saúde, que varia entre 90% e 95%, a depender do imunizante. Entre os indicadores listados pela secretaria, a Pentavalente registra 74,10% de cobertura; a Poliomielite, 78,39%; o Rotavírus, 79,91%; a Febre Amarela, 70,86%; a Hepatite A, 72,32%; a Varicela, 69,48%; a Tríplice Viral, segunda dose, 65,94%; e a DTP, primeiro reforço, 62,93%.
Os números revelam um desafio persistente para a saúde pública: manter a imunização infantil em patamar suficiente para impedir a circulação de vírus e bactérias já controlados no país. Em contraste, as vacinas BCG, com 94,13%, e Hepatite B ao nascer, com 94,23%, aproximam-se da meta preconizada, o que indica avanço parcial, mas ainda insuficiente para a consolidação de uma cobertura homogênea no município.
Segundo a SMS, a campanha foi desenhada para aproveitar cada ida da família à unidade de saúde e avaliar, caso a caso, quais doses estão em atraso. A orientação é que profissionais verifiquem a situação vacinal e apliquem, no mesmo atendimento, todas as vacinas indicadas para a idade e para o histórico de cada paciente.
HPV entra como estratégia complementar
Além do público-alvo principal, formado por crianças e adolescentes menores de 15 anos, a prefeitura manterá a estratégia de resgate da vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos sem dose registrada. O objetivo é alcançar adolescentes que, por diferentes motivos, não completaram o esquema na idade recomendada e ainda permanecem vulneráveis a doenças associadas ao vírus.
A ampliação desse resgate durante a campanha é considerada uma medida de oportunidade sanitária, pois se apoia no fluxo já existente nas unidades de saúde e na maior mobilização da rede. Em termos epidemiológicos, a adesão ao HPV é particularmente importante porque a vacinação na adolescência tem impacto direto na prevenção de cânceres e outras complicações associadas à infecção persistente.

A gerente de imunização da SMS, Nayara Ferreira, destacou que a iniciativa busca ampliar a proteção da população e reduzir o risco de reintrodução de doenças evitáveis por vacinação. A avaliação municipal é que a campanha funciona não apenas como um reforço pontual, mas como instrumento de recuperação de coberturas perdidas nos últimos anos.
Rede municipal reúne mais de 60 salas de vacina
Durante todo o período da campanha, os moradores poderão procurar mais de 60 salas de vacinação distribuídas pela capital, além de oito Centros Municipais de Vacinação. A descentralização é considerada uma peça central da operação, uma vez que facilita o acesso em diferentes regiões da cidade e reduz barreiras geográficas e de horário para pais e responsáveis.
No Dia D, em 22 de agosto, as unidades participantes funcionarão para ampliar o atendimento ao público durante o fim de semana. A medida busca concentrar esforços em um único dia de grande visibilidade, prática frequentemente adotada em campanhas nacionais para elevar a procura e recuperar carteiras com esquemas incompletos.
Entre os imunizantes que podem ser ofertados ao longo da mobilização estão vacinas contra poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola, difteria, tétano e coqueluche, hepatites A e B, rotavírus, meningites, febre amarela, HPV, dengue nos municípios onde integra o calendário, influenza e covid-19. A aplicação depende da faixa etária e das doses já registradas na caderneta.
Busca ativa e proteção coletiva
A Campanha de Multivacinação tem sido adotada nacionalmente como resposta à queda de cobertura observada em diversos imunizantes infantis. Em Goiânia, a oferta ampliada nas unidades de saúde se soma a uma lógica de busca ativa de crianças e adolescentes com vacinas em atraso, uma frente considerada decisiva para evitar a formação de bolsões de suscetibilidade.
Na prática, a estratégia tenta corrigir um problema recorrente na saúde pública brasileira: a interrupção de esquemas vacinais por falhas de acompanhamento, dificuldade de acesso, desinformação ou perda do calendário ao longo do crescimento da criança. Ao concentrar em um mesmo período a checagem da carteira e a aplicação das doses pendentes, a rede municipal busca reduzir o número de oportunidades perdidas de imunização.
O impacto da campanha, porém, dependerá da adesão das famílias. Em contextos de cobertura abaixo da meta, mesmo pequenas variações na procura podem alterar de forma significativa a proteção coletiva. Por isso, a rede municipal aposta tanto na descentralização do atendimento quanto na divulgação dos pontos disponíveis, inclusive com funcionamento ampliado no Dia D.
Para os responsáveis, a recomendação é comparecer às unidades com a caderneta de vacinação e documento de identificação da criança ou adolescente. A atualização da carteira, segundo a lógica da campanha, não se limita à aplicação de uma dose isolada, mas à revisão completa do histórico vacinal, etapa essencial para recuperar esquemas incompletos e reforçar a prevenção contra doenças que voltaram a preocupar autoridades sanitárias no país.