A Prefeitura de Goiânia, por meio da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), concluiu a retirada de 654 toneladas de resíduos em cemitérios municipais na segunda grande operação de limpeza realizada em 2026. A ação, que integra o cronograma de zeladoria da capital, contempla roçagem de mato alto, capina, remoção de entulho e massa verde, além da limpeza das vias internas e áreas de circulação, com foco na melhoria das condições de acesso e na prevenção de acúmulo de vegetação e lixo.
De acordo com dados da Comurg, somente no Cemitério Parque foram removidas 486 toneladas de massa mista, composta por resíduos vegetais, entulho e materiais diversos resultantes da manutenção estrutural. No Cemitério Vale da Paz, a operação somou 168 toneladas de massa verde e resíduos correlatos, associadas também à organização de espaços, eliminação de focos de lixo e contenção de vegetação excessiva. Os cemitérios Jardim da Saudade e Santana também estão inseridos na força-tarefa, em etapas distintas, conforme o planejamento operacional da companhia.
Planejamento de limpeza e manutenção contínua
A Comurg afirma que as ações fazem parte de um programa de manutenção contínua dos cemitérios públicos, intensificado após períodos de chuvas mais fortes, que favorecem o crescimento acelerado do mato e o acúmulo de resíduos. As frentes de trabalho envolvem roçagem mecanizada, capina manual e mecânica, varrição, recolhimento de resíduos sólidos e desobstrução de vias internas, garantindo condições adequadas tanto para o trânsito de visitantes quanto para serviços funerários e administrativos.

Segundo a prefeitura, a periodicidade das ações busca evitar que a vegetação atinja níveis que dificultem o acesso aos jazigos ou comprometam a segurança e o conforto dos usuários. A presença de mato alto, além de prejudicar a mobilidade interna, pode favorecer a proliferação de vetores de doenças, o acúmulo de lixo em áreas de menor visibilidade e a degradação do ambiente funerário como um todo. Nesse sentido, a limpeza sistemática é tratada como um componente de saúde pública e de ordenamento urbano, e não apenas como medida estética.
Em complemento, as operações de retirada de massa verde e entulho são articuladas com a destinação adequada dos resíduos, em consonância com as normas de manejo de resíduos sólidos urbanos. Embora a prefeitura não detalhe, no balanço divulgado, a destinação final de cada fração coletada, a separação entre massa verde e outros tipos de entulho é apontada como etapa fundamental para posterior triagem e tratamento.
Força-tarefa intensificada após período chuvoso
O secretário executivo da Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp), José Neto, destacou que a atual etapa integra uma sequência de ações reforçadas ao longo da atual gestão.
“Nesses quase 13 meses da gestão Mabel, estamos realizando a sexta força-tarefa para zeladoria nos cemitérios públicos. Após as intensas chuvas, os trabalhos foram intensificados, com 25 servidores e 15 roçadeiras. Os serviços de capina manual e mecânica foram mantidos ininterruptamente. É importante ressaltar que é proibido o uso de herbicidas para o controle do mato”, afirmou.
A determinação de não utilizar herbicidas está em linha com práticas de gestão ambiental que buscam reduzir o uso de produtos químicos em áreas urbanas sensíveis, como cemitérios, que possuem grande circulação de pessoas e podem ter contato com lençóis freáticos superficiais. Em diferentes municípios brasileiros, discussões sobre a aplicação de agrotóxicos e herbicidas em áreas de uso público têm resultado em normas mais restritivas, privilegiando métodos mecânicos e manuais de controle de vegetação.
Na prática, o uso predominante de roçadeiras e capina manual implica maior demanda de mão de obra e tempo de execução, mas reduz riscos de contaminação do solo, da água e da fauna urbana. Esse modelo também se articula com políticas locais de sustentabilidade e de adequação às diretrizes ambientais estaduais e federais voltadas ao manejo de áreas verdes e ao uso racional de insumos químicos.
Divisão de responsabilidades entre poder público e famílias
Embora a prefeitura concentre seus esforços na limpeza estrutural dos cemitérios e na manutenção das áreas comuns, a gestão municipal reforça que a conservação específica dos jazigos é de responsabilidade das famílias. Por meio da Segenp, o município lembra que os túmulos são considerados propriedades particulares, ainda que inseridos em um espaço público, o que implica obrigações de cuidado por parte dos concessionários e familiares dos titulares.
Essa divisão de responsabilidades é usual em cemitérios públicos brasileiros, onde cabe ao poder público garantir condições gerais de infraestrutura, segurança e acessibilidade, enquanto a preservação de lápides, adornos, vasos, pequenos jardins privados e demais elementos diretamente ligados ao jazigo recai sobre os familiares. A clareza quanto a essas atribuições busca evitar a degradação de túmulos por abandono, ao mesmo tempo em que delimita o escopo de atuação das equipes municipais.
Na prática, a gestão compartilhada dos espaços funerários requer colaboração contínua entre o poder público e os usuários. Enquanto o município intervém para conter o avanço da vegetação, limpar vias internas e remover resíduos de maior porte, o cuidado cotidiano com objetos deixados nos jazigos, como flores artificiais, vasos quebrados, velas e materiais plásticos, depende sobretudo da iniciativa das famílias, que também podem contribuir para reduzir pontos de acúmulo de sujeira.
Cemitérios como equipamentos urbanos estratégicos
Além da função primordial ligada aos ritos fúnebres, cemitérios urbanos são considerados equipamentos estratégicos no planejamento das cidades. A manutenção adequada dessas áreas impacta diretamente a percepção de segurança e de ordem urbana, especialmente em datas de grande visitação, como o Dia de Finados, quando o fluxo de pessoas cresce de forma significativa. A adoção de operações periódicas, como a relatada pela Comurg, tende a reduzir a necessidade de ações emergenciais de grande escala em momentos de pico.
Do ponto de vista sanitário, a limpeza e o manejo da vegetação contribuem para minimizar focos de proliferação de insetos e animais sinantrópicos, além de facilitar a fiscalização de áreas com possível acúmulo de água parada. Em períodos chuvosos, a combinação de recipientes abandonados, vasos mal posicionados e vegetação densa pode favorecer o surgimento de criadouros de mosquitos, inclusive do Aedes aegypti, vetor de dengue, zika e chikungunya.
Nesse contexto, ações de zeladoria em cemitérios se articulam a campanhas mais amplas de saúde pública, frequentemente coordenadas por secretarias municipais de Saúde em parceria com órgãos de limpeza urbana. A possibilidade de integrar vistorias sanitárias às rotinas de limpeza tende a ampliar a eficácia das políticas preventivas, sobretudo em cidades de porte médio e grande, como Goiânia.
Desafios de gestão e perspectivas
A segunda grande operação de limpeza de 2026, com o registro de 654 toneladas de resíduos retirados, evidencia a dimensão dos desafios associados à manutenção de espaços funerários em uma capital em crescimento. O volume significativo de massa mista e massa verde recolhido em curto intervalo de tempo aponta tanto para a intensidade do crescimento da vegetação após períodos chuvosos quanto para a necessidade de rotinas de limpeza bem planejadas, capazes de antecipar problemas e evitar a degradação visível das áreas.
A realização de seis forças-tarefa em pouco mais de um ano de gestão, como destacou o secretário executivo da Segenp, indica uma estratégia de reforço da zeladoria em ciclos curtos, em complemento às ações rotineiras. Caso mantido, esse modelo pode contribuir para consolidar um padrão de manutenção mais estável, com menor oscilação entre períodos de limpeza intensa e fases de abandono percebido pelos usuários.
Ao mesmo tempo, a eficiência dessas ações depende de fatores como a disponibilidade de equipes, a capacidade operacional de equipamentos, o orçamento destinado à Comurg e às políticas de zeladoria urbana, além da participação dos próprios cidadãos no cuidado com os espaços públicos. Em cemitérios, essa participação se manifesta de forma concreta na conservação dos jazigos e na destinação adequada de resíduos gerados pelas famílias durante visitas.
Ao reforçar a importância da limpeza periódica e da responsabilidade compartilhada entre poder público e familiares, a Prefeitura de Goiânia busca consolidar uma política de manutenção de cemitérios que concilie respeito à memória, organização urbana e atenção às normas ambientais e sanitárias. A continuidade das operações de limpeza e o monitoramento dos resultados ao longo do ano tendem a ser determinantes para a percepção da qualidade da gestão desses espaços pela população da capital.
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