O programa Goiás Social realizou, na Região Noroeste de Goiânia, uma edição voltada a concentrar, em um mesmo espaço, serviços públicos, benefícios sociais e atendimentos gratuitos para moradores de uma das áreas mais populosas da capital. A estrutura itinerante foi montada na Praça da Feira Livre, na Avenida Mangalô, no Setor Morada do Sol, com funcionamento em dois dias, e reuniu órgãos estaduais, municipais e instituições parceiras com o objetivo de ampliar o acesso da população a políticas públicas e facilitar a resolução de demandas cotidianas.
Ao participar da abertura da ação, o governador Daniel Vilela enfatizou o caráter estratégico da iniciativa para aproximar o governo de comunidades onde se concentram famílias de baixa renda e com maior demanda por serviços sociais. Segundo ele, a presença integrada de diversos órgãos em um único local permite que os cidadãos resolvam, em poucas horas, pendências que habitualmente exigiriam deslocamentos sucessivos por diferentes repartições públicas. A Região Noroeste foi escolhida com base em mapeamento técnico da cidade, que identificou bolsões de vulnerabilidade e alta densidade populacional.
Estrutura itinerante e critérios de escolha da região
A edição do Goiás Social na Região Noroeste funcionou em dois turnos: na quinta-feira, até às 17 horas, e na sexta-feira seguinte, das 8 às 12 horas. A decisão de levar o programa àquele território foi amparada por diagnóstico técnico que considera indicadores sociais, demanda por serviços e concentração de moradores em situação de vulnerabilidade. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social, a intenção é segmentar a cidade por áreas estratégicas e, ao longo do semestre, replicar o modelo em diferentes regiões, com a próxima edição prevista para a Região Leste de Goiânia.
Nesse desenho, o Goiás Social adota a lógica de um “mutirão” de serviços públicos, mas com ênfase na integração de políticas sociais, de saúde, habitação, trabalho, justiça e cidadania. O formato itinerante busca reduzir barreiras de acesso, especialmente para famílias que enfrentam dificuldades de deslocamento, de informação ou de custeio de taxas para emissão de documentos e obtenção de benefícios. A presença física dos órgãos na praça pública também tem efeito simbólico, ao sinalizar a prioridade governamental em atender áreas historicamente menos favorecidas da capital.
Distribuição de benefícios sociais e regularização fundiária
Entre as principais entregas desta edição, o programa concentrou a concessão de cartões de transferência de renda, voltados a grupos específicos da população. Estão previstas a distribuição de 1.691 cartões do Programa Mães de Goiás, destinado a mulheres responsáveis por crianças pequenas; 257 cartões do Programa Dignidade; 481 benefícios do Goiás por Elas, direcionado ao público feminino; e 170 cartões do Goiás + Inclusivo, voltado à inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade. Esses instrumentos buscam complementar a renda familiar e contribuir para a segurança alimentar e a proteção social.
Na área de habitação, a Agência Goiana de Habitação (Agehab) realizou a entrega de 197 escrituras de regularização fundiária a moradores dos Conjuntos Primavera, Riviera e Vera Cruz. A emissão do título de propriedade formaliza a posse do imóvel, dá segurança jurídica às famílias e amplia o acesso ao crédito e a programas de melhoria habitacional. Em termos de política urbana, a regularização fundiária é considerada um passo relevante para a integração desses bairros à malha formal da cidade, com impactos sobre arrecadação, planejamento e oferta de serviços públicos.
Outro eixo importante foi o apoio material oferecido pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), que disponibilizou cadeiras de rodas e de banho, fraldas geriátricas e infantis, bengalas, leite especial, colchões tipo “caixa de ovo”, kits de enxoval para bebês e muletas. Embora se trate de itens individuais, a presença desses insumos em ações concentradas tende a aliviar, de forma imediata, despesas de famílias de baixa renda, sobretudo em casos de pessoas com deficiência, idosos acamados ou mães com recém-nascidos.
Serviços municipais, justiça e documentação
A iniciativa contou também com a participação de órgãos do sistema de justiça e da administração municipal. Tribunal de Justiça e Defensoria Pública estiveram presentes para orientações jurídicas e encaminhamento de demandas. A Prefeitura de Goiânia levou ao evento equipes responsáveis por atendimentos relacionados ao CadÚnico, instrumento de identificação de famílias de baixa renda que dá acesso a programas sociais, e pelos serviços do Atende Fácil, que concentraram representantes das secretarias municipais da Fazenda, Trânsito, Planejamento, Habitação, Eficiência, Indústria e Comércio e da Junta Militar.
Em paralelo, houve distribuição de mudas de espécies medicinais e nativas do Cerrado, ação que, além do aspecto ambiental, tem potencial educativo junto à comunidade local. Na avaliação do prefeito Sandro Mabel, a realização de uma edição do Goiás Social na Região Noroeste só foi viável pela articulação entre Estado e município, que permite somar estruturas e evitar sobreposição de esforços. Na área de documentação, a Polícia Civil realizou emissão de carteiras de identidade, enquanto o Vapt Vupt disponibilizou serviços como emissão de espelho de CPF, boletos de IPVA e multas, além de agendamento de outros atendimentos.
Esse conjunto de ações reduz custos diretos para os cidadãos, como tarifas de deslocamento e taxas, e custos indiretos relacionados ao tempo despendido e à perda de dias de trabalho para resolver pendências administrativas. Em contextos de vulnerabilidade, a simplificação de trâmites burocráticos tende a ter impacto imediato na inclusão civil e na capacidade de acesso a créditos, benefícios e serviços.
Saúde, emprego e qualificação profissional
No campo da saúde, o Goiás Social estruturou uma frente diversificada. Foram ofertadas vacinações, atendimentos na carreta da mamografia, exames de prevenção ao câncer de pele, exame citopatológico (Papanicolau) e consultas oftalmológicas realizadas por equipe especializada, além de aferição de pressão arterial e testes de glicemia. A presença de exames preventivos em eventos dessa natureza é considerada estratégica, pois amplia o diagnóstico precoce de doenças crônicas e de cânceres com alta incidência na população, reduzindo a sobrecarga futura sobre a rede hospitalar.
Em paralelo, a Secretaria da Retomada abriu inscrições para cursos do Colégio Tecnológico do Estado de Goiás (Cotec), articulando qualificação profissional com as necessidades do mercado de trabalho local. Também foram oferecidas mais de 2,9 mil vagas de emprego em Goiânia e na Região Metropolitana, por meio do Programa Mais Empregos. Esse eixo de atuação busca ir além da transferência de renda, ao criar oportunidades de inserção produtiva e melhoria de renda de forma sustentável.
Para o público infantil, a Secretaria de Esporte e Lazer (Seel) organizou atividades na denominada Rua do Lazer, com brinquedos como pula-pula e multipark. Ainda que recreativas, essas ações cumprem o papel de tornar o ambiente mais acolhedor para famílias que precisam passar algumas horas no local à espera de atendimento, além de reforçar a presença do poder público em políticas de esporte e lazer como componentes da qualidade de vida urbana.
Relatos da comunidade e percepção de impacto
Depoimentos de moradores que buscaram atendimento ajudam a dimensionar o impacto prático da iniciativa. A camareira Maria Márcia, de 47 anos, aproveitou o evento para emitir a própria carteira de identidade e a da filha com deficiência e destacou a importância da gratuidade e do acolhimento no atendimento, sobretudo para famílias sem condições de arcar com custos adicionais. O venezuelano Julio Vicente, residente em Aparecida de Goiânia, relatou ter participado pela primeira vez de um evento desse porte para emissão de documentos para si e para o filho, ressaltando a dimensão do esforço concentrado.
Casos como o de Ludiele de Souza, moradora do Bairro Alto do Vale, que conseguiu emitir a carteira de identidade e receber um kit de enxoval para o bebê recém-nascido, ilustram a combinação de políticas de documentação civil com apoio direto às famílias em fase de maior vulnerabilidade econômica. Já a diarista Keiliane Canuto, mãe de duas crianças pequenas, retirou o cartão do Programa Mães de Goiás e enfatizou que o benefício será direcionado à compra de alimentos em um momento em que está afastada do mercado de trabalho em razão dos cuidados com os filhos.
Esses relatos evidenciam um traço estrutural de programas como o Goiás Social: a capacidade de articular, em um único evento, políticas de proteção social, geração de renda, acesso à saúde e garantia de direitos básicos. Ao reduzir distâncias físicas e burocráticas entre o cidadão e o Estado, a ação tende a aumentar a efetividade de políticas já existentes, especialmente junto a públicos que tradicionalmente enfrentam barreiras de acesso, como mulheres chefes de família, pessoas com deficiência, migrantes e moradores de áreas periféricas.
Na avaliação geral, a edição do Goiás Social na Região Noroeste de Goiânia se insere em uma estratégia mais ampla de descentralização de serviços públicos e de aproximação das políticas sociais de territórios de maior vulnerabilidade. A continuidade e a expansão desse modelo para outras regiões da capital e do estado serão determinantes para consolidar seus resultados no médio e longo prazos, tanto na redução de desigualdades quanto na melhoria da qualidade de vida das populações atendidas.