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Augusto Cury formaliza apoio a Flavio Bolsonaro com carta de oito compromissos

Ex-candidato do Avante condicionou o apoio a medidas como fim da reeleição e revolução na educação

Redação Redação · · 8 min de leitura
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Cury

Augusto Cury, ex-candidato à Presidência da República pelo partido Avante, anunciou nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, seu apoio formal a Flavio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. A decisão foi comunicada após uma videoconferência entre os dois, que durou mais de uma hora, e resultou na assinatura de um termo de compromisso público com oito pontos programáticos. O documento, intitulado “Termo de Compromisso Público com o Brasil”, estabelece condições para o apoio e não prevê qualquer contrapartida em cargos ou vantagens pessoais, segundo o texto assinado por ambas as partes.

O termo assinado por Flavio Bolsonaro contempla compromissos que vão desde uma reforma constitucional para extinguir a reeleição presidencial até a criação de uma ampla rede pública de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde. O apoio de Augusto Cury ocorre a poucas semanas da votação em segundo turno e representa um movimento de aproximação entre o ex-candidato e a campanha bolsonarista, baseado no que o documento qualifica como “preocupação genuína com a necessidade de o Brasil ter um governante que se preocupe com todos os brasileiros”.

Os termos do compromisso firmado por Augusto Cury

O acordo entre Augusto Cury e Flavio Bolsonaro foi selado na manhã de 8 de outubro de 2026, por meio de uma chamada de vídeo que se estendeu por mais de sessenta minutos. O ex-candidato do Avante condicionou seu apoio à assinatura de um documento público contendo oito compromissos que passariam a integrar a plataforma de governo em caso de vitória no segundo turno. A carta, que leva a assinatura de Flavio Bolsonaro e o horário de 12h30, declara que a confiança manifestada “não constitui um cheque em branco”, mas sim um voto condicionado ao cumprimento das promessas e à transparência na gestão.

O primeiro compromisso listado no termo é a defesa de uma reforma constitucional para extinguir a reeleição para presidente da República. O texto argumenta que a medida combateria o personalismo, o populismo e o uso da máquina pública para perpetuação no poder. A justificativa apresentada por Augusto Cury, conforme consta no documento, é de que a alternância de poder funciona como “oxigênio para a democracia”, sendo inaceitável, em sua visão, a possibilidade de um mesmo ocupante buscar um quarto mandato consecutivo no cargo.

O segundo eixo do termo trata da educação e prevê a expansão progressiva do ensino em tempo integral, com currículos reformulados para incluir disciplinas como oratória, gestão financeira e empreendedorismo. A proposta inclui a valorização dos professores por meio de formação continuada, melhores salários e condições de trabalho. O terceiro compromisso estabelece a meta de construir uma das maiores redes públicas de telemedicina do mundo, integrada ao SUS e apoiada em inteligência artificial para reduzir as filas de consultas com especialistas, que atualmente podem ultrapassar cinquenta dias de espera.

A trajetória eleitoral e o contexto do segundo turno

Augusto Cury disputou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 como candidato do partido Avante, apresentando uma plataforma voltada para a gestão emocional, a reforma educacional e a pacificação do debate político. Embora não tenha avançado para a etapa seguinte da disputa, sua participação no pleito lhe conferiu visibilidade para negociar apoios no segundo turno, prática recorrente na política brasileira quando candidatos que não passaram de fase buscam influenciar o programa dos finalistas em troca de suporte eleitoral.

O segundo turno das eleições de 2026 opõe Flavio Bolsonaro ao atual presidente, que busca a reeleição para o que seria seu quarto mandato. A possibilidade de um quarto mandato consecutivo é, aliás, um dos pontos centrais da crítica presente no termo assinado. O documento menciona que mais de 82% das famílias brasileiras estão endividadas, dado que fundamenta a proposta de reorganização do sistema econômico defendida no acordo entre os dois signatários.

A formalização do apoio por meio de um termo escrito e público não é uma prática nova, mas ganha relevância no contexto de uma campanha marcada por polarização. O instrumento jurídico-político serve como garantia simbólica e permite cobrança futura, já que o próprio texto do compromisso afirma que o apoiador mantém “o direito de cobrar, questionar, criticar e exigir coerência entre as palavras e os atos”. O documento foi tornado público por Augusto Cury após a assinatura por Flavio Bolsonaro, ampliando a exposição dos compromissos assumidos.

O que muda na prática com os compromissos assumidos

Os oito compromissos assinados por Flavio Bolsonaro abrangem áreas como saúde, educação, segurança, agricultura, microempreendedorismo e pacificação nacional. O quarto ponto do termo trata da proteção às mulheres e propõe transformar o combate à violência de gênero em prioridade nacional, com uso de tecnologias avançadas, sistemas inteligentes de prevenção e um aplicativo com botão de pânico conectado às redes de proteção e às forças de segurança. A medida inclui o fortalecimento de delegacias especializadas e políticas de autonomia econômica para as vítimas.

O quinto compromisso diz respeito ao cooperativismo, com a defesa do ato cooperativo e apoio à verticalização agroindustrial. Já o sexto ponto propõe que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com outras instituições financeiras, viabilize o financiamento de milhões de microempreendimentos ao longo dos próximos anos. A proposta inclui a criação de escolas de empreendedorismo nas comunidades, com o objetivo de preparar a população para os impactos da inteligência artificial e da robótica sobre o mercado de trabalho.

O sétimo compromisso estabelece a meta de dobrar a produção brasileira de alimentos em dez anos, por meio de investimentos em ciência, irrigação sustentável, bioinsumos e crédito rural acessível. A ambição declarada no documento é que o Brasil passe a alimentar mais de dois bilhões de pessoas no mundo, conciliando produtividade com responsabilidade ambiental. O oitavo e último ponto, chamado de “Pacificação Nacional”, assume o compromisso de governar sem vingança, rancor ou perseguição política, abrangendo brasileiros de todas as orientações ideológicas.

O que dizem os signatários do acordo com Augusto Cury

No termo assinado, Flavio Bolsonaro declara estar consciente da dimensão dos desafios que o Brasil enfrentará e assume os compromissos “sem qualquer troca de cargos ou vantagens pessoais”. O texto afirma que a confiança de Augusto Cury decorre da compreensão de que a alternância de poder é essencial para a democracia e de que é necessário reorganizar o sistema econômico que, segundo o documento, “tem asfixiado o Brasil”. O candidato se compromete a observar as atribuições constitucionais da Presidência e a necessária participação do Congresso Nacional nas reformas legislativas.

Augusto Cury, por sua vez, apresentou o termo como um instrumento de responsabilidade pública. O texto do documento inclui uma declaração de que o apoio “será sempre acompanhado do direito de cobrar” e que o propósito maior não é partidário, mas voltado às futuras gerações. A carta menciona que o apoio nasce de uma preocupação com todos os brasileiros, “independentemente de sua origem, condição social, região, convicção política ou orientação ideológica”, e que mais de 90% das dores humanas “não têm coloração partidária”.

O termo também traz um compromisso final em que Flavio Bolsonaro afirma reconhecer a necessidade de um novo modelo de liderança, definido como “uma mente capitalista e um coração social”. A assinatura do documento ocorreu em Brasília, às 12h30 de 8 de outubro de 2026, conforme registrado no próprio texto. O instrumento tem caráter público e foi divulgado como forma de assegurar transparência e possibilitar a cobrança futura por parte da sociedade e do próprio Augusto Cury.

Próximos passos e o que ainda não está definido

Com a formalização do apoio, Augusto Cury passa a integrar oficialmente a base de sustentação da candidatura de Flavio Bolsonaro no segundo turno. A adesão não implica automaticamente a incorporação dos oito compromissos ao programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral, uma vez que alterações programáticas dependem de deliberação da coligação e do partido. No entanto, o termo assinado serve como documento político que pode ser cobrado publicamente durante eventual mandato.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 está marcado para as próximas semanas, em data a ser confirmada pelo calendário oficial do TSE. A campanha de Flavio Bolsonaro ainda não divulgou cronograma detalhado para a implementação dos compromissos firmados com Augusto Cury, nem especificou quais medidas dependeriam de aprovação legislativa e quais poderiam ser executadas por decreto ou ato administrativo. O termo assinado não tem força de lei, mas funciona como compromisso público político cujo cumprimento poderá ser acompanhado pela sociedade civil e pelo próprio signatário original.

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